quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Deus Quer Me Fazer o Bem

Por Bob Mumford

Deus Quer Me Fazer o Bem

“Chegai-vos a mim, ouvi isto: Não falei em segredo desde o princípio; desde o tempo em que aquilo se fez, eu estava ali; e agora, o Senhor Deus me enviou juntamente com o seu Espírito. Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar.” (Is. 48:16-17)

Quero chamar atenção sobre duas palavras: ensinar e guiar. Você sabe que muitas vezes nós somos intratáveis – não permitimos que os outros nos ensinem, nem nos guiem!? Esta característica é resultado da queda do homem. Quando ele caiu, ele se tornou um pequeno deus para si. Ele passou a conhecer ou escolher o seu próprio caminho. Por isso, uma das características marcantes de um cristão regenerado é a posse de um espírito tratável. Por outro lado, o sintoma mais destacado de alguém que está se entrelaçando em doutrinas falsas ou heresias é um espírito que se torna impossível de ser ensinado. Não há jeito de conversar com estas pessoas, nem persuadi-las. Elas se tornam muito duras, convencidas e indomáveis.

Eu percebo o próprio coração de Deus nestas palavras de Isaías. Ele queria, com grande ansiedade e dor no coração, ensinar a Israel o que lhe seria útil, e guiá-lo pelo caminho certo. Veja os próximos versículos:

“Ah! Se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos! Então seria a tua paz como um rio, e a tua justiça como as ondas do mar; também a tua descendência teria sido como as ondas do mar; também a tua descendência teria sido como a areia, e os que procedem das tuas entranhas como os seus grãos; o seu nome nunca seria cortado nem destruído de diante de mim.”(id., 18-19)

Quero que você perceba algo aqui, enfaticamente! A INTENÇÃO DE DEUS É FAZER-LHE O BEM! Esta afirmação terá que ser uma pedra fundamental do nosso entendimento nestes estudos. Tudo que Deus faz é com a finalidade de redenção. Todo movimento d’Ele, tudo que Ele muda, toda operação d’Ele, tudo que Ele toca, é para o fim de redimir é para o meu bem.

Faz só uns quatro anos que pessoalmente eu me submeti aos caminhos de Deus. Honestamente, no interior do meu coração, eu pensava que era capaz de melhorá-los. Você já notou que Deus não age da maneira que você gostaria que agisse?

O Salmo 103:7 diz: “Manifestou os seu caminhos a Moisés, os seus feitos aos filhos de Israel.”

Pouco tempo depois da minha conversão eu ouvi alguém pronunciar e comentar sobre estas palavras. Como resultado comecei a me levantar todo dia de madrugada para orar. E o clamor do meu coração era: “Ó Senhor, ensina-me os teus caminhos!” Esta é uma oração muito séria.

Heb. 3:10 diz: “Por isso me indignei contra essa geração...eles também não conheceram os meus caminhos.”

A palavra “indignar” no seu sentido original é relacionada com amor. E Deus Se indignou com Israel, porque este não conheceu os Seus caminhos. Como são estranhos os caminhos de Deus! É justamente sobre este tema que quero falar nestes estudos. Queremos abrir nosso entendimento e ver como são os caminhos de nosso Deus.

Volte a Isaías 48:18 e medite nestas palavras: “Ah, se tivesse dado ouvidos aos meus mandamentos!” Que você sente aí? Que está atrás destas palavras? Você pode perceber o bater, o sentimento, do próprio coração de Deus?

Ele não queria fazer mal a Israel. Pelo contrário, queria lhe fazer o bem. Tem sido a Sua intenção, igualmente, fazer o bem nas nossas vidas. Mas eu não sabia disto. O Senhor queria me guiar por todo este caminho. Mas quando olho para trás, vejo os rastos dos meus calcanhares, fincando-se no chão, e resistindo-lhe a cada passo! Cinco quilômetros, o Senhor me arrastou, implorando, rogando, obrigando, martelando minha cabeça. E eu não sabia que com tudo isto Ele queria me fazer o bem! Se soubesse, teria me entregue a Ele há três anos!

Mas da próxima vez, torno a resirtir-lhe. Parece que a gente nunca chega ao ponto de honesta e inteiramente aceitar o fato de que nosso Pai não pode nos fazer o mal. Ele não pode nos trair, nem nos “passar para trás”!
 
Homens do Novo Testamento

Eu estive, certa vez, numa reunião com uns quinze outros pregadores. Como sempre acontece quando muitos pregadores se reúnem, nós estávamos muito espirituais, dispostos a tomar a cidade inteira por Jesus. Íamos invadir a região, estabelecer uma igreja do Novo Testamento, entrar na Festa dos Tabernáculos, enfim, ser vencedores! Depois alguém disse: -- Só tem uma coisa a respeito da igreja do Novo Testamento: é preciso ter homens do Novo Testamento!

Com isto, comecei a enxergar alguma coisa nos propósitos de Deus que tem me ajudado muito através nos anos. É uma coisa falar da Festa dos Tabernáculos, e transbordar da glória destas coisas: igreja do Novo Testamento, ordem divina, vencedores, tempo do fim, filhos amadurecidos de Deus. É outra coisa ter homens do Novo Testamento vivendo e andando entre nós!
Quando ouvimos mensagens sobre a Festa dos Tabernáculos e a glória de Deus, alguma coisa tem que operar dentro de nós para dizermos: “Ó Deus, não quero apenas ver isto. Quero que Tu inicies algo no meu espírito que me faça realmente experimentar e alcançar tudo que o Senhor tem para mim!” Esta é a parte dolorosa, quando é imprescindível saber que Deus está nos fazendo o bem!

Na minha própria experiência, eu me cansei tanto de ouvir profecias onde o Senhor prometia estar conosco, não nos deixar, e que Ele nos amava, etc., etc. Nós precisamos de crer que o Senhor só pode nos fazer o bem, e que o Senhor nunca pode nos deixar – aliás, é impossível esconder-se d’Ele. Vamos eliminar estas dúvidas.

Deus não pode nos falhar, nos desamparar, nos deixar no meio da batalho ou nos levar até o meio do caminho para depois nos deixar cair. No meio das aflições Ele foi aflita conosco, identificado com Seu povo. Ele se tornou um conosco!

Eu creio que Deus está fazendo alguma coisa na terra. Faz pouco tempo, fui convidado a falar numa série de reuniões em uma igreja católica. Na primeira reunião havia umas quarenta pessoas. Na última havia aproximadamente quatrocentas e cinqüenta, com quinze sacerdotes e dezoito freiras. Comecei a falar do meu coração, por uma hora e meia. Nunca vi tanta fome e desejo de coração, tanto respeito e atenção. No fim, para não assustar ou expor alguém a algo de que não iria gostar, eu convidei aqueles que tinham mais interesse no Espírito Santo para uma pequena sala atrás. Quando cheguei lá, estava superlotada de pessoas também, e ficamos por mais uma hora e meia, falando sobre os dons do Espírito, e a obra de Deus. Muitos receberam o Espírito aí mesmo, na igreja católica! Saí de lá dizendo:

-- Ó Deus que eu faça parte desta obra gloriosa!

Mas alguém dirá:

-- Mas, Bob, você está fazendo parte já!

Ouça o que vou dizer. Eu poderia estar na frente, e falar sobre a obra de Deus nestes dias, e eu mesmo nem fazer parte dela! Não adianta nada eu entender todas estas coisas, e até poder ensiná-las aos outros, se eu mesmo não estiver experimentando e praticando – vivendo no mover de Deus.

O Ribeiro que Secou

Elias estava sentado perto de um ribeiro, naquela seca em Israel, quando de repente, este secou. Ele começou a se queixar: -- Senhor, que estás fazendo comigo? Este ribeiro não veio de Ti, para minha provisão?

-- Sim. Deus respondeu.

Que Elias fez então? Levantou-se e repreendeu o diabo?

Não. Deus explicou: -- Elias, este ribeiro secou porque eu quero abrir uma outra fonte.

Mas digo uma verdade. Este ribeiro está secando. Os ministérios individuais estão secando. Em outro lugar Deus está abrindo uma outra fonte, chamada o Corpo de Cristo. E à medida que o ribeiro novo começa a fluir, há muita sujeira e impureza inicial que começam a sair a ser levadas pelas primeira enxurradas. Se virmos algumas manifestações ou operações esquisitas dentro deste Corpo que está se formando, podemos ficar tranqüilos, pois as águas se limparão.
Este movimento chama-se o Corpo de Cristo, ou também “Funcionamento de Cada Membro.” É quando cada homem, mulher e criança participa e se envolve no derramamento e fluir do Espírito de Deus. Como resultado, quebra-se aquele padrão duplo de ação (clero e leito, teórico e experimental).
“Eu Conquistei o Mundo”

Em João 16:33, nós lemos: “No mundo tereis aflições” – esta é uma promessa e ela é sua – “mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” – ou literalmente: “Eu conquistei o mundo.”

Um judeu, de aspecto comum, estava falando. Ele era tão normal que foi preciso que Judas o beijasse para ser identificado (Lucas 22:47). Ele tinha doze discípulos, um dos quais era o traidor. Após ter pregado por três anos e meio, tudo dera errado. A “instituição”, a igreja, a política, tudo estava contra Ele. Metade do povo nem sabia quem Ele era.

E aí Ele estava com os onze discípulos, cheios de medo, dizendo-lhes: “Eu conquistei o mundo!” No meio de anarquia, confusão, tudo errado, com onze discípulos amedrontados, espiritualmente dormindo, no fim do Seu ministério, Ele ainda diz: “Eu conquistei o mundo!” Ou Ele foi o Filho de Deus ou Ele era um doente mental.
Agora, se Jesus disse “Eu conquistei o mundo”, será que você pode dizer o mesmo? Como testemunho, como declaração do seu direito, sim. E como experiência?

“Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” (I João 5:5)

“Maior é aquele que está em vós que aquele que está no mundo.” (I João 4:4)

“Ao vencedor (ou ao conquistador) dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono.” (Apoc. 3:21) Quando será este trono, agora ou no milênio?

Reinando em Vida

Jesus deu-nos esta verdade em forma embrionária; Paulo nos dá a mesma verdade, explanada em Romanos 5:17.

“Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e o dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.”

Onde reinaremos? Em vida! Aqueles que receberem o dom da justiça, ou seja, aqueles que forem justificados, feitos justos pela fé, estes reinarão em vida, como reis!

Primeiramente, Jesus vem nos conceder o dom da justiça, imputar-nos justiça, batizando-nos também nas águas e no Espírito Santo. Se você já recebeu tudo isto, será que falta ainda alguma coisa?

Irmão, o que o Senhor faz por você (arrependimento, justiça, batismo nas águas e no Espírito Santo) é feito por você a fim de prepará-lo para que Deus possa fazer algo em você. Depois de imputar-lhe a Sua justiça, Ele ainda tem que operar Sua natureza em você.

Ele quer operar algo em você até que você possa ficar no meio da pior situação imaginável, e dizer: “Eu conquistei o mundo”, creia ou não! O que o Senhor quer na vida de todo crente é a capacidade de reinar no meio da situação.

Nós temos aprendido que a situação deve mudar para podermos reinar.

-- Se o vizinho mudasse, eu teria vitória!

-- Ore por minha esposa, pois é impossível ser espiritual enquanto ela continuar assim!

Mas o Senhor tem nos feito o bem em colocar-nos naquela situação! Ele está nos guiando no caminho em que devemos ir, não naquele que queremos. E por isto resistimos a Deus, porque não queremos ir por aquele caminho que Ele escolheu.

É minha convicção, em vista de tudo que Deus está fazendo hoje, que somente aqueles que obtiverem vitória pessoal nas suas vidas enfrentarão o desafio de hoje e fluirão com o mover do Espírito nestes dias. Não é que alguns serão super-espirituais, ou mais santos. O que Deus está fazendo é aberto a todos, e Ele tem como objetivo nos levar a vitória completa nestes dias.



Extraído do livro "Bob Mumford - A Patrola de Deus"
 
 
 

domingo, 26 de setembro de 2010

Palavra do Pr Samuel da Matta - Porta das Ovelhas

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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

História dos mártires cristãos


Primeira edição, escrita por Fox no século XVI



História dos mártires cristãos até a primeira perseguição geral sob Nero





   Cristo, nosso Salvador, no Evangelho de são Mateus, ouvindo a confissão de Simão Pedro, o qual, antes que todos os outros, reconheceu abertamente que Ele era o Filho de Deus, e percebendo a mão providencial de seu Pai nisso, o chamou (aludindo a seu nome) de "rocha", rocha sobre a qual edificaria Sua Igreja com tal força que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela. E com estas palavras se devem observar três coisas: primeiro, que Cristo teria uma igreja neste mundo. segundo, que a mesma Igreja sofreria uma intensa oposição, não só por parte do mundo, senão também com todas as forças e poder do inferno inteiro. E em terceiro lugar que esta mesma Igreja, apesar de todo o poder e maldade do diabo, se manteria.




   Vemos esta profecia de Cristo verificada de modo maravilhoso, por quanto todo o curso da Igreja até o dia de hoje não parece mais que um cumprimento desta profecia. Primeiro, o fato de que Cristo tenha estabelecido uma Igreja, não necessita demonstração. Segundo, com que força se opuseram contra a Igreja príncipes, reis, monarcas, governadores e autoridades deste mundo! E, em terceiro lugar, como a Igreja, apesar de tudo, tem suportado e retido o que lhe pertencia! É maravilhoso observar que tormentas e tempestades ela tem vencido. E para uma mais evidente exposição disto tenho preparado esta história, com o fim, primeiro de que as maravilhosas obras de Deus em sua Igreja redundem para Sua Glória; e também para que ao expor-se a continuação e história da Igreja, possa redundar em maior conhecimento e experiência para proveito do leitor e para a edificação da fé cristã.




   Como não é nosso propósito entrar na história de nosso Salvador, nem antes nem depois de Sua crucifixão, só será necessário lembrar aos nossos leitores o desconcerto dos judeus pela Sua posterior ressurreição. Ainda que um apóstolo o havia traído; embora outro o tinha negado, sob a solene sanção de um juramento, e ainda que o resto tinha-o abandonado, a exceção daquele "discípulo que era conhecido do sumo sacerdote", a história de sua ressurreição deu uma nova direção a todos seus corações e, depois da missão do Espírito Santo, transmitiu uma nova confiança em suas mentes. Os poderes de que foram investidos lhes deram confiança para proclamar Seu nome, para confusão dos governantes judeus, e por assombro dos prosélitos gentios.




ESTEVÃO


   Estevão foi o seguinte a padecer. Sua morte foi ocasionada pela fidelidade com a que predicou o Evangelho aos entregadores e matadores de Cristo. Foram excitados eles a tal grau de fúria, que o expulsaram fora da cidade, apedrejando-o até matá-lo. a época em que sofreu supõe-se geralmente como a Páscoa posterior à da crucifixão de nosso Senhor, e na época de Sua ascensão, na seguinte primavera.


   A continuação suscitou-se uma grande perseguição contra todos os que professavam a crença em Cristo como Messias, ou como profeta. São Lucas nos diz de imediato que "fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém", e que "todos foram dispersos pelas terras da Judéia e de Samaria, exceto os apóstolos" (Atos 8:1, ACF).


   Em volta de dois mil cristãos, incluindo Nicanor, um dos sete diáconos, padeceram o martírio durante a "tribulação suscitada por causa de Estevão" (Atos 11:9, PJFA).

TIAGO, O MAIOR


   O seguinte mártir que encontramos no relato segundo Lucas, na História dos Atos dos Apóstolos, é Tiago, filho de Zebedeu, irmão mais velho de João e parente de nosso Senhor, porque sua mãe Salome era prima irmã da Virgem Maria. Não foi até dez anos depois da morte de Estevão que teve lugar este segundo martírio. Aconteceu que tão pronto como Herodes Agripa foi designado governador da Judéia que, com o propósito de congraçar-se com os judeus, suscitou uma intensa perseguição contra os cristãos, decidindo dar um golpe eficaz, e lançando-se contra seus dirigentes. Não se deveria passar por alto o relato que dá um eminente escritor primitivo, Clemente de Alexandria. Nos diz que quando Tiago estava sendo conduzido ao lugar de seu martírio, seu acusador foi levado ao arrependimento, caindo a seus pés para pedi-lhe perdão, professando-se cristão e decidindo que Tiago não receberia sozinho a coroa do martírio. Por isso, ambos foram decapitados juntos. Assim recebeu, resoluto e bem disposto, o primeiro mártir apostólico aquele cálice que ele tinha dito ao Salvador que estava disposto a beber. Timão e Parmenas sofreram o martírio por volta daquela época; o primeiro em Filipos, e o segundo na Macedônia. Estes acontecimentos tiveram lugar no 44 d.C.
FELIPE


   Nasceu em Betsaida da Galiléia, e foi chamado primeiro pelo nome de "discípulo". Trabalhou diligentemente na Ásia Superior, e sofreu o martírio em Heliópolis, na Frigia. Foi acoitado, encarcerado e depois crucificado, no 54 d.C.
MATEUS


   Sua profissão era arrecadador de impostos, e tinha nascido em Nazaré. Escreveu seu evangelho em hebraico, que foi depois traduzido ao grego por Tiago o Menor. Os cenários de seus trabalhos foram Partia e a Etiópia, país no que sofreu o martírio, sendo morto com uma lança na cidade de Nadaba no ano 60 d.C.
TIAGO, O MENOR


   Alguns supõem que se tratava do irmão de nosso Senhor por parte de uma anterior mulher de José. Isto resulta muito duvidoso, e concorda demasiado com a superstição católica de que Maria jamais teve outros filhos além de nosso Salvador. Foi escolhido para supervisar as igrejas de Jerusalém, e foi o autor da Epístola ligada a Tiago. A idade de noventa e nove anos foi espancado e apedrejado pelos judeus, e finalmente abriram-lhe o crânio com um cacetete.

MATIAS


   Dele se sabe menos que da maioria dos discípulos; foi escolhido para encher a vaga deixada por Judas. Foi apedrejado em Jerusalém e depois decapitado.

ANDRÉ


   Irmão de Pedro, predicou o evangelho a muitas nações da Ásia; mas ao chegar a Edessa foi apreendido e crucificado numa cruz cujos extremos foram fixados transversalmente no chão. Daí a origem do termo de Cruz de Santo André.



MARCOS



   Nasceu de pais judeus da tribo de Levi. Supõe-se que foi convertido ao cristianismo por Pedro, a quem serviu como amanuense (escritor), e sob cujo cuidado escreveu seu Evangelho em grego. Marcos foi arrastado e despedaçado pelo populacho de Alexandria, em grande solenidade de seu ídolo Serapis, acabando sua vida em suas implacáveis mãos.

PEDRO


   Entre muitos outros santos, o bem-aventurado apóstolo Pedro foi condenado a morte e crucificado, como alguns escrevem, em Roma; embora outros, e não sem boas razões, tenham dúvidas a esse respeito. Hegéssipo diz que Nero buscou razões contra Pedro para dá-lhe morte; e que quando o povo percebeu, rogaram-lhe insistentemente que fugisse da cidade. Pedro, ante a insistência deles, foi finalmente persuadido e se dispus a fugir. Porém, chegando até a porta viu o Senhor Cristo acudindo a ele e, adorando-o, lhe disse: "Senhor, aonde vãs?" ao que ele respondeu: "A ser de novo crucificado". Com isto, Pedro, percebendo que se referia a seu próprio sofrimento, voltou à cidade. Jerônimo diz que foi crucificado cabeça para abaixo, com os pés para cima, a petição dele, porque era, disse, indigno de ser crucificado da mesma forma que seu Senhor.



PAULO



   Também o apóstolo Paulo, que antes se chamava Saulo, após seu enorme trabalho e obra indescritível para promover o Evangelho de Cristo, sofreu também sob esta primeira perseguição sob Nero. Diz Obadias que quando se dispus sua execução, Nero enviou dois de seus cavaleiros, Ferega e Partémio, para que lhe dessem a notícia de que ia ser morto. Ao chegarem a Paulo, que estava instruindo o povo, pediram-lhe que orasse por eles, para que eles acreditassem. Ele disse-lhe que em breve acreditariam e seriam batizados diante de seu sepulcro. Feito isso, os soldados chegaram e o tiraram da cidade para o lugar das execuções, onde, depois de ter orado, deu seu pescoço à espada.

JUDAS


   Irmão de Tiago, era comumente chamado Tadeu. Foi crucificado em Edessa o 72 d.C.


BARTOLOMEU


   Predicou em vários países, e tendo traduzido o Evangelho de Mateus na linguajem da Índia, o propalou naquele país. Finalmente foi cruelmente açoitado e logo crucificado pelos agitados idólatras.



TOMÉ


   Chamado Dídimo, predicou o Evangelho em Partia e na Índia, onde por ter provocado a fúria dos sacerdotes pagãos, foi martirizado, sendo atravessado com uma lança.
LUCAS


   O evangelista foi autor do Evangelho que leva seu nome. Viajou com Paulo por vários países, e se supõe que foi pendurado de uma oliveira pelos idólatras sacerdotes da Grécia.



SIMÃO



   Apelidado de zelote, predicou o Evangelho na Mauritânia, África, inclusive na Grã Bretanha, país no qual foi crucificado em 74 d.C.

JOÃO


   O "discípulo amado" era irmão de Tiago o Maior. As igrejas de Esmirna, Sardes, Pérgamo, Filadélfia, Laodicéia e Tiatira foram fundadas por ele. Foi enviado de Éfeso a Roma, onde se afirma que foi lançado num caldeiro de óleo fervendo. Escapou milagrosamente, sem dano algum. Domiciano desterrou posteriormente na ilha de Patmos, onde escreveu o livro do Apocalipse. Nerva, o sucessor de Domiciano, o libertou. Foi o único apóstolo que escapou de uma morte violenta.

BARNABÉ


   Era de Chipre, porém de ascendência judia. Supõe-se que sua morte teve lugar por volta do 73 d.C.






   E apesar de todas estas contínuas perseguições e terríveis castigos, a Igreja crescia diariamente, profundamente arraigada na doutrina dos apóstolos e dos varões apostólicos, e regada abundantemente com o sangue dos santos.







Extraído do Livro "John Foxe - O Livro dos Martires"

O Pastor e as suas ovelhas


O Senhor é meu Pastor



Ele diz: "Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas" (Jo 10,11)Deus nos criou e tem direitos legítimos sobre nós, porque nos criou para objeto do seu amor. Comprou-nos por alto preço, pela sua vida imolada e pelo seu sangue derramado.Por isso ele pode dizer: "Eu sou o bom pastor..."

Para um pastor não há alegria maior do que ver as suas ovelhas contentes.

O pastor não poupará esforços para trazer a melhor relva, o melhor pasto para o seu rebanho, assim como água pura.

O pastor lutará para poupar as ovelhas dos ataques dos animais ferozes, para dar abrigo nas tempestades, e dar proteção contra as parasitas.

Logo ao amanhecer ele examina o seu rebanho com os seus olhos e sabe identificar se as ovelhas estão bem, se alguma está doente ou necessita de cuidados especiais. "não dormitará aquele que te guarda" (Salmo 121,3b).

Mas, apesar dos cuidados do pastor, algumas ovelhas estão insatisfeitas. Sempre estão pensando em pular a cerca, achando que a grama do outro lado é mais verde.

Às vezes, pela sua teimosia, abre buraco na cerca e passa para o outro lado. Só aí então que ela vai enchergar que o pasto lá é ralo, queimado e seco.

O pior desse comportamento, é que ela ensina os seus cordeirinhos a fazerem o mesmo. Assim o pastor não tem alternativa, senão sacrificá-la para preservar todo o rebanho.

Características das Ovelhas

Não se deitam se estiverem com medo, fome, brigadas com outras ovelhas, ou atacadas pelos insetos. Todas essas tensões fazem com que a ovelha não descanse.

Assustam-se facilmente e ficam apavoradas pelo mínimo problema.

Não sabem defender-se. Sua alternativa mais comum é fugir.

Se estiver grávida e for perseguida por animais ferozes, pode perder a cria.

Nada as tranquiliza mais do que ver o seu pastor.

Algumas, em geral as mais velhas, disputam pela liderança do próprio rebanho, empurrando e marrando as mais novas para longe das melhores partes dos pastos. (Ezequiel 34, 15-22): "Quando os nossos olhos estão fixos no Senhor não há tempo para contemplarmos aqueles que nos rodeiam, e assim podemos entrar em perfeita paz".

As ovelhas da palestina enfrentam locais com pedras duras, raízes no solo, espinheiros, etc... se estes obstáculos não forem retirados as ovelhas podem se ferir. Jesus retirou as pedras do nosso orgulho, os espinhos da nossa incredulidade e as nossas raízes de amargura.

Algumas ovelhas preferem escolher pastagens de qualidade inferior. E isso é uma das coisas que mais espanta o pastor . Mas o bom pastor preparou pastos verdejantes para aqueles que querem se alimentar deles e aí encontrar a paz e a plenitude.

A ovelha precisa de água, embora se dê bem em lugares secos. Mas é pastor que sabe onde estão os melhores lugares para aquele rebanho beber. E, se não houver um lugar próprio, adequado, ele vai cavá-lo no solo. Se a ovelha não for conduzida a um lugar de água pura, ela pode beber em poças poluídas e adoecer. Só o Senhor nos leva a águas de descanso. Mas nós tentamos procurar pelo intelecto, pela ciência e pela formação acadêmica a nossa satisfação, mas nada disso nos satisfaz.

Quando vira-se de costas, não consegue desvirar-se sozinha, ou colacar-se de novo em pé. se o pastor não ajudá-la pode até morrer.

Algumas procuram lugares mais cômodos, mais macios e mais confortáveis para deitar. Mas é nesses lugares que mais ficam viradas.

As que estão com muita lã, viram mais facilmente porque ficam mais pesadas. A única saída é tosquiá-la. A lã representa o egoísmo, o orgulho, a revelação exteriror da nossa condição interior. Por isso o sacerdote no a.t. não usava roupas de lã no santíssimo.

Às vezes a ovelha vira porque está gorda demais. Note que gordura não é sinal de saúde. Tinha que passar por uma dieta. O mesmo princípio vale espiritualmente.

Têm hábitos repetitivos. pastam nos mesmos lugares até que destruam o pasto. Defecam na própria terra, liberando vermes e parasitas. Se o pastor não dirigí-las a novos pastos, vão repetindo os velhos hábitos (Isaías, 53,6). O nosso orgulho faz-nos caminhar pelos mesmos caminhos porque achamos que sabemos o que é melhor para nós.

A ovelha teimosa pastará sempre nos mesmos trilhos. O seu fim será o emagrecimento, doenças e sofrimentos. Como ovelhas do senhor nós precisamos abrir mão de querer conduzir-nos e deixarmo-nos, de uma vez por todas. ser conduzidos por ele. Isso é negar-se a si mesmo. Quando a ovelha descobre que é melhor ser guiada, só então ela estará pronta para ser conduzida aos pastos verdejantes. Isso implica muitas vezes em ter que ser diferente do grupo. Mas, ao invés de ficar todo o tempo querendo defender os seus direitos, abre mão deles em favor dos outros. Abro mão de escolher o meu caminho para que o do senhor prevaleça.

Em determinados momentos as ovelhas têm que ser conduzidas para as partes mais altas das montanhas e aos vales escuros e profundos. Essa experiência pode parecer muito difícil, mas é nesses lugares justamente que se encontram os melhores pastos, e um maior número de fontes de águas, apesar das grandes ameaças de tempestades, ataques de lobos, onças e até deslizamentos de terra ou de neve. Mas quando o nosso pastor está conosco, nenhum mal nos atingirá.

Algumas ovelhas precisam ser corrigidas e, muitas vezes, o pastor precisa usar a vara para disciplinar e corrigir aquelas que queriam se afastar do grupo. Note que a vara que era usada para a correção, era também usada para manifestar os milagres (como no caso de moisés). A vara hoje nos afasta das vãs filosofias e da confusão mental (Ez 20, 37).

A vara era usada, também, para contar o rebanho, separar as ovelhas, como arma de defesa e para examinar a ovelha ver se ela não tinha carrapato, etc... (salmo 139,23-24).

Além disso temos o cajado. tem a ponta curva, é fino e longo. Serve para trazer a ovelha mais perto do pastor. Serve para trazer as ovelhinhas que se afastaram para perto da mãe. Isso acontece porque se a fêmea sentir o cheiro da mão do pastor, pode rejeitar o cordeirinho. O cajado, ainda, pode servir de apoio ao pastor quando ele está cansado.

Na época do verão as ovelhas são fortemente assediadas pelas moscas que querem usar a humidade do seu focinho para ali deixarem os seus ovos. Isso pode gerar grandes e complicadas inflamações que vão desde a morte da ovelha até a sua cegueira. O pastor precisa aplicar óleo de oliva, sulfa e especiarias para afastar as moscas. (Salmo 23,5b).

Na época do outono as fêmeas passam a ser disputadas pelos machos. é o tempo do cio. Estes batem as suas cabeças uma nas outras tentando disputar a fêmea. O pastor sabe que isso pode ferí-los muito, por isso passa uma espécie de graxa em suas cabeças, para protegê-los. Na igreja de hoje ocorrem também muitas disputas acirradas, contendas que geram rivalidades, ciúmes e disputas. Só a unção do Espírito Santo aplicada pode restaurar essas coisas.

No inverno, quando uma ovelha se congela, muitas vezes o pastor tem que dar a ela um pouco de vinho ou conhaque misturado com água para ela voltar a se aquecer de novo.

Uma ovelha nem sempre reconhece e entende os cuidados do seu pastor para com ela. Mas ela pode ter a certeza da sua bondade e misericórdia para com ela, não só nos momentos felizes, mas nos difíceis também.

Em todos os momentos, no calor forte do verão, nas tempestades de outono, no frio da neve, ou em qualquer momento de dificuldade, nós podemos estar tranquilos, ficarmos confiantes, porque podemos habitar seguros na sua casa. (Salmo 23, 6).

Precisamos saber que Deus nos deu como ovelhas à propriedade do nosso supremo pastor: Jesus Cristo.

O nosso contentamento, a nossa paz, a nossa alegria deve transparecer aos outros, revelando a confiança de que vamos habitar em sua casa para sempre.

 
 
Sugestão da Carolina Di Giorgio
Extraído do site "http://www.deuspoderoso.com.br/estudos/OSenhoromeuPastor.asp"

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Benefícios de falar em Línguas: Vencendo a carne


Por Luciano Subirá

"VENCENDO A CARNE"

   "Digo, porém: Andai no Espírito, e não haveis de cumprir a cobiça da carne. Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis". Gálatas 5:16,17.

   Vivemos em guerra vinte e quatro horas por dia; sete dias por semana. Trata-se de uma batalha ininterrupta, não só contra os demônios mas contra a nossa própria carne. O apóstolo Paulo declarou que via em seu corpo uma guerra entre seu homem interior - que tinha prazer na lei de Deus, e a sua carne - que se via dominada pela lei do pecado.

   Deus nos comissionou a vencer a carne; e podemos fazê-lo! Esta é uma das áreas onde o Espírito Santo veio ministrar em nossas vidas para nos conduzir a um viver santo, vitorioso. E os benefícios do uso da linguagem de oração no espírito estão diretamente ligados às áreas de ação do Espírito do Senhor em nós. Em suma, se é ministério do Espírito nos fazer vencer a carne, então é certo que o falar em línguas nos auxiliará no tocante a esta área. E somente andando no Espírito venceremos os desejos e inclinações da carne.

   O capítulo áureo na Bíblia sobre andar no Espírito e massacrar a carne é Romanos 8. No capítulo 7 Paulo declara que passava o conflito interior que todos nós também passamos: "o bem que quero este não faço, e o mal que não quero este faço". Depois faz a pergunta: "quem me livrará do corpo desta morte?", externando assim a sua incapacidade de vencer a carne.

   Muitos pensam que esta pergunta ficou sem resposta; mas não! Logo a seguir, ele mesmo afirma: "graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor"(Rm.7:25). E o capítulo 8 revela como Jesus Cristo nos dá esta vitória. Temos a provisão de Cristo para vencermos. E da mesma forma como havia dito aos gálatas que o segredo de não cumprir os desejos da carne é ANDAR NO ESPÍRITO, o apóstolo também o diz em outras palavras aos crentes de Roma.

   "Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte". Romanos 8:2.

   Há duas leis em funcionamento na vida dos que servem a Deus: a de vida e a de morte. Enquanto a lei do Espírito vivifica, a lei do pecado mata. No v.6 lemos: "porque a inclinação da carne é morte, mas a inclinação do espírito é vida e paz". Mas nesta exposição das leis, temos mais do que um mero contraste entre uma e outra; as Escrituras estão nos dizendo que uma lei é maior e sobrepõe a outra. A lei do Espírito da vida NOS LIVRA da lei do pecado e da morte!

   Graças a Deus! Embora a lei operante na maioria dos homens seja a do pecado, nós temos o antídoto: a lei do Espírito da vida. Quando a segunda entra em operação, a primeira é anulada. Basta andar no Espírito, acionando voluntariamente esta lei, e você experimentará a vitória. Caso contrário, jamais agradará a Deus:

   "Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser; e os que estão na carne não podem agradar a Deus". Romanos 8:7,8.

   O que é estar na carne? É viver a vida sem Cristo, desprovida por completo da lei do Espírito. Este não é o caso dos cristãos verdadeiros, pois o texto prossegue dizendo:

   "Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele". Romanos 8:9.

   Depois desta declaração profunda, de que ninguém que serve a Cristo está desprovido do Espírito Santo para vencer, Paulo estabelece claramente ONDE cada uma das duas leis opera: a do pecado, na carne; e a do Espírito da vida, em nosso próprio espírito.

   "Ora, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça". Romanos 8:10.

   O quê, exatamente, significa a expressão "corpo morto por causa do pecado"?

   Fala da operação da lei do pecado na nossa carne; mais à frente o escritor usa o termo "corpo mortal". Mas assim como a carne está sob a lei do pecado, nosso espírito, por sua vez, está sob a vida; ou seja, tem nele a operação do Espírito da vida! Enquanto a Bíblia chama nossa carne de corpo morto (ou mortal), chama nosso espírito de vivo (ou vivificado) e diz que esta vida do espírito pode fluir para o corpo, anulando a lei da morte.

   "E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita". Romanos 8:11.

   Durante muito tempo achei que este versículo só se aplicava à ressurreição do corpo, por ocasião da vinda de Jesus. Mas hoje vejo claramente que este "vivificar o corpo mortal" fala da lei do Espírito da vida anulando a lei do pecado e da morte na carne já neste tempo presente.

   Resumindo, só vencemos a carne pelo operar do Espírito Santo em nós: "porque, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis" (Rm.8:13). Não há outro meio de vencer a carne, a não ser anulando esta lei mortal do pecado mediante o poder e ação do Espírito de vida.

O CATIVEIRO DO PECADO

   Para melhor enxergarmos a atuação do Espírito Santo quebrando o domínio do pecado e da carne em nossas vidas, precisamos reconhecer que Paulo trata a lei do pecado como sendo um cativeiro:

   "Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros". Romanos 7:22,23.

   Preste atenção na frase usada pelo escritor "levando cativo". É nesta linha de raciocínio que ele declara em Romanos 8:15 que não recebemos o "espírito de escravidão". A lei do pecado e da morte, é na verdade, uma escravidão.

   Depois o raciocínio deste cativeiro do pecado se estende e apresenta a própria criação (ecossistemas) escravizada e ansiando pela libertação:

   "Porque a criação aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus.

   Porquanto a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade dos filhos de Deus.

   Porque sabemos que toda a criação, conjuntamente, geme e está com dores de parto até agora; e não só ela, mas até nós, que temos as primícias do Espírito, também gememos, aguardando a nossa adoção, a saber, a redenção do nosso corpo". Romanos 8:19-23.

   E a Palavra de Deus traça um paralelo entre a natureza e a humanidade nestes termos: ambos estão no "cativeiro da corrupção"; ambos aguardam a libertação; e ambos possuem a mesma linguagem de desabafo neste anseio de serem livres: os gemidos. Tanto a natureza como a humanidade gemem. E estes gemidos são uma verdadeira oração por libertação que será atendida!

   E logo a seguir, veremos Paulo usando a frase "do mesmo modo também o Espírito"... A Bíblia Sagrada está dizendo que assim como a criação e a humanidade gemem, ASSIM TAMBÉM o Espírito Santo geme! Não geme por necessitar de libertação, mas geme em nós, levando-nos a uma oração por libertação mais eficaz. E é exatamente neste ponto que aparece a oração no Espírito Santo ligada ao vencer a carne:

   "Do mesmo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por com gemidos inexprimíveis". Romanos 8:26.

   Somos ajudados na fraqueza. E que fraqueza é esta? O contexto de todo o capítulo - e mesmo dos anteriores - fala de uma só fraqueza: a inclinação da carne. A única maneira de vencer a carne é com a ajuda do Espírito. E como Ele nos ajuda? Visto que não sabemos orar como convém, o Espírito intercede por nós... A linguagem sobrenatural de oração é o auxílio que o Pai nos deu para que vençamos a carne; é usando o falar em línguas que conheceremos o toque liberador de vida do Espírito Santo.

   É interessante também, o significado desta palavra traduzida como "ajuda" (ou assiste). No original grego é sunantilambanomai, que quer dizer "pegar firme contra algo, juntamente com". Tal palavra cabe bem no exemplo de alguém que ajuda outro a carregar algo pesado, como um piano. É literalmente "pegar a outra ponta do peso", o que reflete, na verdade, uma sociedade. É ajuda em parceria.

   Agora veja bem, quando falamos do nosso espírito, pelo Espírito Santo dentro em nós, orando em línguas, isto não lhe sugere uma sociedade também?

   Aleluia! Deus nos deu uma poderosa arma contra a inclinação da carne, e devemos usá-la dia após dia. Sei muito bem na prática, que, à medida que oramos mais em línguas nossa carne é enfraquecida. O próprio exercício do espírito nos faz mais consciente da presença de Deus e nos alerta para as sutis armadilhas da carne.

   Orar em línguas é ter a ajuda do Espírito Santo contra as fraquezas da carne; é tê-lo como parceiro, "pegando a outra ponta do peso" e nos auxiliando quanto a um peso que não podemos carregar sozinhos. O cativeiro da corrupção da lei do pecado em nossa carne é quebrado ao gemermos e orarmos no Espírito. Ele intercede por nós, pois de nós mesmos não saberíamos faze-lo de forma correta. E se Ele ora da forma correta por nosso meio ao falarmos em línguas, podemos ter a certeza que assim veremos a resposta!

   A Bíblia não diz que o Espírito Santo intercede por nós lá no céu. Mas que o Espírito de Deus intercede ATRAVÉS de nós QUANDO falamos em línguas. A única incumbência bíblica do Espírito Santo quanto à oração é nos ajudar a orar, não orar em nosso lugar. Então, se queremos vencer, devemos intencional e deliberadamente investirmos tempo na oração no Espírito.

   Vencer as fraquezas da carne é, portanto, mais um dos múltiplos benefícios do falar em línguas dados para a nossa plena vitória.


Extraído do livro "Falar em Línguas: A linguagem sobrenatural da oração - Luciano Subirá"

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Benefícios de falar em Línguas: Sensibilidade Espiritual


Por Luciano Subirá


"SENSIBILIDADE ESPIRITUAL"



   Orar em línguas é um verdadeiro exercício espiritual. Quanto mais praticamos, mais sensibilidade adquirimos quanto ao nosso próprio espírito, uma vez que a oração em línguas é o nosso espírito orando. Como está escrito: "Porque se eu orar em língua, o meu espírito ora..." (I Co.14:14).

   Precisamos compreender mais acerca do papel do nosso próprio espírito dentro da vida cristã. Em razão disto, antes de falar sobre o lado prático de como as línguas geram esta sensibilidade interior, quero estabelecer alguns conceitos sobre o espírito humano e sua importância.

ESPÍRITO, ALMA, E CORPO

   O homem foi criado por Deus como um ser tripartido. Nossa constituição é esta: espírito, alma e corpo. As Escrituras, ao mencionarem estas três partes distintas, referem-se a elas como se tratando do nosso ser inteiro, da nossa plenitude.

   "E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" I Tessalonicenses 5:23.

   Atente para o termo "completamente". Para o escritor a santificação completa é a conservação irrepreensível das três partes. Mas as Escrituras fazem clara distinção entre espírito e alma; de fato, ambos compõem aquilo que chamamos de "homem interior" (II Co.4:16), mas são distintos entre si; há um versículo que traz mais luz acerca desta diferença, e convém observá-lo:

   "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração". Hebreus 4:12.

   Nosso texto diz que a Palavra penetra até a DIVISÃO de alma e espírito; logo, há divisão entre um e outro; não são a mesma coisa. Contudo, apesar desta divisão, parece-nos que os dois estão bem próximos, juntos. Tanto, que só a Palavra de Deus, como espada afiada que é, pode separa-los. Na prática diária da vida cristã, a maioria dos crentes sabe muito bem quão difícil é separar o que é alma do que é espírito, mas que são distintos, são! Isto é inegável.

   Na Bíblia lemos que o novo-nascimento é o nascer do espírito (Jo.3:6). Isto é algo que se dá instantaneamente. Contudo, escrevendo à pessoas que já haviam experimentado a salvação de Deus em seu espírito (TG.1:18 e I Pe.1:3), Tiago e Pedro falaram da "salvação da alma" como algo que acontece posteriormente ao novo-nascimento do espírito (Tg.1:21 e I Pe.1:19). Portanto, assim como a salvação da alma acontece como um processo de restauração pela Palavra de Deus, a regeneração do espírito acontece instantaneamente na ocasião do novo-nascimento. Se o espírito e a alma fossem uma coisa só, certamente não haveria esta distinção na forma como a redenção de Cristo alcança cada um.

SANTUÁRIO DE DEUS

   Somos santuário de Deus, como diz o Novo Testamento: "Não sabeis vós que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (I Co.3:16).

   No passado, Deus ordenou que lhe construíssem um santuário com detalhes que Ele mesmo havia dado, e sob a direção de Moisés, o povo de Israel o fez. Mais tarde, Davi o restaurou e introduziu nele o ministério de louvor; e na geração seguinte, seu filho Salomão construiu um magnífico templo em lugar da tenda do tabernáculo. Mas quando o povo israelita foi levado em cativeiro para a Babilônia, o templo foi demolido e queimado, e somente depois de regresso da nação nos dias de Esdras e Neemias é que foi reconstruído.

   Nas quatro vezes, seguiu-se a direção inicial que o Senhor havia dado a Moisés, e a Casa do Senhor sempre teve três ambientes distintos onde os sacerdotes serviam: o Santo dos Santos, o Lugar Santo, e o Átrio Exterior. Logo, podemos dizer que o santuário sempre foi tripartido.

   No Novo Testamento vemos uma nova ênfase quanto ao santuário de Deus, e ela já não tem mais nada a ver com os templos construídos. Na sua última pregação, Estevão declarou: "Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens..." (At.7:48), e antes de tornar-se o primeiro mártir da Igreja, depositou esta mensagem no coração de seu perseguidor, que mais tarde viria a escrever que o santuário de Deus somos nós!

   A Igreja em seu início compreendia isto. Quando Jesus bradou na cruz "está consumado!", o véu do templo se rasgou de alto a baixo. A partir deste momento a presença de Deus deixou de estar restrita ao templo e o Pai veio fazer morada em nós, os nascidos de novo.

   E como santuário de Deus, também somos tripartidos, à semelhança dos santuários do Velho Testamento que eram figura do santuário da Nova Aliança em Jesus. Cada uma das três partes do santuário corresponde às nossas três partes: espírito, alma e corpo.

   Olhando o tabernáculo pelo lado de fora, via-se apenas duas partes: a coberta e a descoberta, sendo que a parte coberta era a tenda da revelação e a parte descoberta o átrio exterior. Mas ao entrar na tenda, percebia-se que havia dois ambientes totalmente distintos e separados por um véu: o Santo Lugar e o Santo dos Santos (Hb.9:1-3).

   Ou seja, olhando apenas de modo superficial, parecia um só ambiente, mas num exame cuidadoso apareciam os dois ambientes. De forma semelhante, ao olhar superficialmente o santuário de Deus hoje (que somos nós), pode-se ver apenas duas partes: o homem interior e o homem exterior. Mas um exame das Escrituras (e no nosso próprio íntimo) revelará que a "tenda" do homem interior se subdivide em outras duas partes, separadas apenas por um véu. O homem interior é composto de espírito e alma!

   O espírito corresponde ao Santo dos Santos, o lugar mais íntimo, onde se encontrava a presença de Deus e também onde Ele falava. A alma corresponde ao Lugar Santo, e o corpo ao Pátio, ou Átrio Exterior.

   A importância de examinarmos estas figuras é compreender que assim como o Santo dos Santos era o lugar mais importante do tabernáculo, assim também o nosso espírito é hoje o lugar "mais importante" do santuário que somos nós! Precisamos tomar consciência do valor do nosso espírito na vida cristã.

O LUGAR ONDE DEUS FALA

   Naquela ocasião em que Deus falou com Moisés mandando-o construir a arca, disse que o propiciatório deveria ser feito com vários detalhes que Ele mesmo deu. E então afirmou: "ali virei a ti e falarei contigo"(Ex.25:22). Era, portanto, no Santo dos Santos, lugar da arca, que Deus falava.

   E hoje, na Nova Aliança?

   O Senhor continua falando no lugar mais íntimo do santuário, onde está sua santa presença, e este lugar em nós que corresponde ao Santo dos Santos é o nosso espírito. Paulo mencionou isto ao escrever aos irmãos de Roma:

   "Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus". Romanos 8:14.

   O Espírito Santo nos guia... Como? Dois versículos depois já encontramos a resposta:

   "O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus". Romanos 8:16.

   A direção do Espírito vem através de um TESTIFICAR (testemunhar) no nosso próprio espírito; este é o lugar onde Deus fala.

   "O Espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do coração". Provérbios 20:27.

   O Pai Celeste tem uma lâmpada em nós: nosso espírito. Contudo, muitos de nós, por não desenvolvermos a sensibilidade de nosso próprio espírito, ficamos sem ouvir a voz de Deus. Muitas vezes Deus quer falar conosco através de um testemunho interior, mas nem sequer percebemos que Ele está querendo nos dirigir.

   É claro que o Senhor fala de muitas maneiras, inclusive espetaculares, como sonhos, visões, profecia, e outras, mas a forma comum de falar conosco é mediante o testemunho de nosso próprio espírito.

ATÉ COM JESUS

   Ao se fazer homem, o Senhor Jesus esvaziou-se de sua glória (Fl.2:5-8), bem como de alguns atributos da divindade. O Mestre não estava em vários lugares ao mesmo tempo, pois era limitado pelo corpo; portanto, mesmo como Deus, viveu na terra sem lançar mão da onipresença.

   Também viveu sem fazer uso da onipotência, pois precisou do poder do Espírito para fazer a obra que fez. E ele também limitou-se a crescer em sabedoria e quando revelava segredos e pensamentos dos corações dos homens, precisava ouvir o Espírito Santo, pois não se movia na onisciência mas sim na dependência do Espírito.

   Jesus viveu como um homem cheio do Espírito Santo, e é por isso que podemos imitá-lo; se ele tivesse andado nesta terra como Deus (entenda-se: usando tais atributos da divindade), jamais poderia dizer que faríamos as mesmas obras que fez e até maiores! Mas ele dependia do Espírito Santo... e sabe onde o Espírito falava com ele? No mesmo lugar que fala conosco: em nosso espírito. Veja o relato do evangelho:

   "Mas Jesus logo percebeu em seu espírito que eles assim arrazoavam dentro de si, e perguntou-lhes: Por que arrozais desse modo em vossos corações?" Marcos 2:8.

   Os fariseus estavam apenas pensando, e o Espírito Santo transmitiu uma informação ao espírito de Jesus (como homem) do que aqueles homens cogitavam em seu íntimo, pois é exatamente assim que Deus fala com o homem.

   Temos em Jesus o exemplo perfeito de uma vida no Espírito; se com ele Deus falava assim, não espere nada diferente; algo distinto desta forma de Deus falar pode nos ocorrer ocasionalmente, mas o dia-a-dia será marcado pelo testemunho do Senhor em nosso espírito.

   Nas vezes em que uso o termo "o Espírito Santo fala", não me refiro a uma voz audível. Às vezes Ele fala assim, mas na maioria das ocasiões é apenas um testificar interior. Por exemplo, como podemos saber que somos filhos de Deus? A Bíblia diz que é o Espírito Santo que testifica, testemunha com nosso espírito que de fato o somos. E como se dá esta testificação? Simplesmente sabemos que somos filhos; algo em nós o diz. É uma certeza no coração e não na mente; não se trata de ser convencido pela razão, mas de ter uma convicção interior.

   Considere uma outra área de atuação do Espírito Santo, que é trazer a revelação da Palavra de Deus a cada um de nós. Como Ele faz isto? As Escrituras respondem:

   "Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente". I Coríntios 2:14.

   Gosto da versão da Bíblia de Jerusalém, que em lugar da expressão "homem natural" traduz "homem psíquico". Ou seja, o homem não pode compreender as coisas de Deus com seu psique, pois elas se discernem com o espírito; é no nosso próprio espírito que o Espírito Santo ensina as coisas espirituais, e não na nossa mente (I Co.2:15). Percebemos mais uma vez, portanto, qual é o lugar onde Deus fala, seja por um testificar ou por revelação da Palavra: o nosso espírito.

EXERCITANDO O ESPÍRITO

   Muitos de nós já aprendemos que é possível exercitar o corpo e até a alma (mente). Assim como exercitamos o corpo com ginástica, nossa mente também é exercitada mediante a prática da leitura, cálculo, jogos, etc. Mas e o espírito? Pode ser exercitado?

   Ora, se corpo e alma se exercitam, porque não o espírito? Certamente que sim!

   Nossa dificuldade em ouvir Deus começa na insensibilidade do nosso espírito. E a razão de nosso espírito permanecer insensível deve-se ao fato de o usarmos muito pouco. Mas à medida em que praticamos a oração em línguas, uma nova sensibilidade surgirá. Nas minhas experiências no sentido de ouvir Deus, percebo que houve crescimento à medida em que o tempo que eu gastava orando em línguas também crescia.

   Quando você está orando em línguas, é seu espírito falando e não sua mente. E o que acontece, se por exemplo você ora duas horas ininterruptas na linguagem do Espírito? Seu espírito terá duas horas de exercício, de atividade intensa e você estará mais consciente dele.

   O que acontece conosco se não exercitarmos o corpo? Nossos músculos certamente atrofiarão se não houver exercício físico algum. Recordo-me de certa ocasião na minha adolescência, em que caí de bicicleta e trinquei a rótula do joelho esquerdo; foi necessário passar mais de um mês com a perna imobilizada, e ao fim deste período quando o gesso foi tirado, a perna não dobrava. Levei um bom tempo exercitando-me aos poucos para poder recuperar o movimento e liberdade necessária para voltar às atividades físicas. Isto é atrofia.

   Com nosso homem espiritual não é diferente; também existe atrofia espiritual. Assim como a diferença entre o físico de um atleta em constante preparo é gritante em relação ao de alguém que veio a conhecer a atrofia, também no reino espiritual há "atletas espirituais" em constante exercício e gozando de boa forma, e há aqueles atrofiados que nunca ouvem o Senhor em nada.

   Sei que para muitos é estranho quando falamos sobre ouvir Deus em nosso espírito, uma vez que, na prática, não possuem nenhum referencial do que é isto. Mas nunca exercitaram seu espírito e de repente querem ser atletas espirituais! Isto é muito difícil, pois a sensibilidade é algo que se adquire gradualmente; a atrofia só será removida mediante fisioterapia; lenta e progressivamente.

   Às vezes, alguns irmãos me perguntam como consigo memorizar versículos e textos bíblicos, como se fosse necessário aprender alguma fórmula; mas a verdade é que eu não me esforço para isto. Sempre investi na leitura, de modo que tenho facilidade para memorizar o que leio, devido ao contínuo exercício nesta área.

   Há pessoas que tem grande habilidade com números e cálculos; outros, com certos jogos e raciocínios. Mas o fato é que com tempo e prática cada um exercita sua mente naquilo em que se dedica. Com isso quero exemplificar que com nosso espírito não é diferente; podemos torná-lo mais sensível e consciente através da prática do falar em línguas.

   A leitura e meditação na Palavra também tem o seu lugar no fortalecimento do espírito, pois é o alimento espiritual indispensável para a boa saúde e vigor. Contudo, um atleta não adquire um bom físico apenas se alimentando e tomando vitaminas; é necessário combinar isto ao exercício. Semelhantemente, devemos nos alimentar (MUITO) na Palavra, mas também exercitar nosso espírito.

REFRIGÉRIO ESPIRITUAL

   Quando estamos falando em línguas, nosso espírito está em plena atividade, e além de se exercitar, está também sendo ministrado por Deus, o que ajuda-o a tornar-se mais consciente de Deus e seu agir. Há momentos em que provaremos de grande refrigério espiritual, o que nos fará compreender melhor o que é o nosso próprio espírito.

   Aos 13 anos de idade, no ano de 1957, Thomas Wilkins subia um monte com um primo seu no Parque da Sequoia, no Estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Em certo momento, escorregou e veio a cair em certa planta, conhecida naquele lugar como "Iucca".

   Sentiu quando as pontas espinhosas das folhas espetaram em um dos seus joelhos, vindo a perder imediatamente o uso da perna; logo, dores terríveis começaram a envolve-lo, mas como estivesse mais próximo do topo, julgou mais prudente terminar de subir do que tentar descer.

   Chegando ao topo, encostou-se em uma pedra, tendo diante de si uma pirambeira; percebeu que as dores aumentaram e parecia que todo o corpo sentia espetadas que iam intensificando-se mais e mais, até que o estômago e a visão começaram a girar enquanto seus olhos se escureciam aos poucos. Neste instante tentou pedir ajuda ao primo, mas nem sequer conseguia falar pois o corpo afetado pelo veneno da planta encontrava-se totalmente paralisado.

   Decidiu então orar a Deus, clamando pela intervenção divina, mas apesar de não ter perdido a consciência e nem a memória, sua mente encontrava-se impossibilitada até mesmo de articular pensamentos, como se algo a paralisasse e confundisse.

   Ocorreu-lhe então, que a Bíblia diz que ao orarmos em línguas, o espírito é que ora enquanto a mente fica infrutífera, e assim apelou para o uso da linguagem sobrenatural de oração do Espírito Santo, começando a orar interiormente em línguas. E conserva viva na memória ainda hoje, a lembrança de que naquele momento chegou a emocionar-se ao perceber que as línguas fluíam desimpedidamente de seu espírito enquanto a mente nem sequer conseguia funcionar..

   Enquanto orava desta maneira, ouviu uma voz que lhe mandava caminhar; tomar o passo. A princípio relutou e continuou a orar, pois achava que não conseguiria dar o passo justamente com a perna ferida; foi então que tudo escureceu completamente e ele notou que estava prestes a cair Naquela hora a voz falou-lhe segunda vez para que tomasse o passo, e ele obedeceu a ordem recebida. Apesar da paralisia sua perna respondeu ao seu comando e ele caminhou até próximo do primo, onde deitou-se e permaneceu orando em línguas.

   Logo, uma sensação de refrigério começou em todo seu corpo que até então parecia arder em febre. Este refrigério vinha do topo da cabeça em direção aos pés, como uma linha que ia descendo. Quando começou, a mente voltou ao normal; ao passar pelos olhos, a visão foi restaurada; quando passou pela boca, a voz retornou deixando sua oração audível, e à medida que descia, o corpo ia sendo curado; tendo chegado aos pés, encontrava-se totalmente são e pode descer do monte sem precisar de ajuda. Glória a Deus!

   Após ter concluído seu relato, perguntei a este amoroso pastor o que esta experiência significava para ele, e sua resposta não poderia ser outra, a não ser citar o profeta:

   "Na verdade por lábios estranhos e por outra língua falará o Senhor a este povo; ao qual disse: Este é o descanso, daí descanso ao cansado; e este é o refrigério; mas não quiseram ouvir." Isaías 28:11,12.

   Lendo este texto de Isaías sozinho, não aplicaríamos o falar em línguas a ele, mas ao observar que Paulo o cita no Novo Testamento em referência às línguas, temos que reconhece-lo como diretamente ligado ao assunto. E a afirmação do profeta é que há um descanso e um refrigério para o cansado. Israel não experimentou esta promessa no nível em que a podemos desfrutar hoje, pois não havia a manifestação do falar em línguas naquela época. Esta é uma profecia de dupla-referência que se cumpre hoje na vida da Igreja (o Israel espiritual) em um nível mais profundo.

   Todos temos que admitir que há momentos em que nos cansamos e precisamos de socorro. Quando se trata de cansaço físico, uma boa dose de repouso é o remédio certo; mas há um outro tipo de cansaço, ao qual Jesus se referiu como sendo o "cansaço de alma" (Mt.11:29), e para este tipo não há repouso que chegue, é necessário um outro remédio, o refrigério que vem de Deus.

   Lembre-se que o Espírito Santo é o Ajudador, o Consolador. E a idéia implícita no título que ele possui, é a de que PRECISAMOS DA SUA AJUDA! Não só no sentido de realizarmos em sociedade a obra de Deus, mas também - e principalmente - nos momentos onde encontramo-nos fracos, abatidos e impotentes. Sou grato a Deus pelas muitas vezes em que tenho provado este refrigério! Naquelas ocasiões em que sinto o mesmo impulso que Elias teve de ir e esconder-se numa caverna, sei que é necessário gastar tempo falando em línguas, permitindo assim que o Espírito Santo traga o seu descanso.

O DESGASTE DA BATALHA

   Super-herói espiritual não existe, pois todos nos cansamos; temos limites. Embora inicialmente apresentemos relativa dificuldade para aceitar, o tempo e a experiência nos mostram que isto é um fato, e ocorrerá a cada um de nós aquele momento de desgaste, principalmente após as batalhas e ministrações a outras pessoas. Mesmo ministrando no Espírito, nos cansamos. Não sentimos enquanto estamos sob a unção, mas quando ela se vai; é aí que percebemos o quão limitados somos!

   Há um exemplo na Bíblia que se enquadra perfeitamente neste contexto, o de Sansão. Observe o que ocorreu com ele numa ocasião em que experimentou poderosa manifestação de Deus:

   "Quando ele chegou a Leí, os filisteus lhe saíram ao encontro, jubilando. Então o Espírito do Senhor se apossou dele, e as cordas que lhe ligavam os braços se tornaram como fios de linho que estão queimados do fogo, e as suas amarraduras se desfizeram das suas mãos.

   E achou uma queixada fresca de jumenta e, estendendo a mão, tomou-a e com ela matou mil homens. Disse Sansão: Com a queixada de um jumento, montões e mais montões! Sim, com a queixada de um jumento matei mil homens.

   E acabando ele de falar, lançou da sua mão a queixada, e chamou-se aquele lugar Ramá-Leí." Juizes 15:14-17.

   É importante lembrar que Sansão não possuía nenhuma força descomunal, a não ser quando o Espírito de Deus se apossava dele; salvo estas ocasiões, era um homem normal. E depois de ter sido usado assim pelo Senhor, a unção se retirou dele, mas deixou um saldo de grande desgaste. Ou seja, a força não era dele, mas o corpo sim; e quando a força se foi, ficou o cansaço.

   Muitas vezes experimentamos isto; depois de vencermos o inimigo externo, descobrimos que não podemos lidar com a nossa própria limitação! Foi o que ocorreu com o juiz israelita:

   "Depois, como tivesse grande sede, clamou ao Senhor, e disse: Pela mão do teu servo tu deste este grande livramento; e agora morrerei eu de sede, e cairei nas mãos destes incircuncisos? Então o Senhor abriu a fonte que está em Leí, e dela saiu água; e Sansão, tendo bebido, recobrou alento, e reviveu; pelo que a fonte ficou sendo chamada En-Hacore, a qual está em Leí até o dia de hoje." Juizes 15:18,19.

   O corpo de Sansão quase sucumbiu, pois o esforço de matar (e empilhar) mil homens foi grande! A Bíblia diz que o desgaste foi tamanho que ele quase morreu de sede. Mas aprendemos uma tremenda lição com este ocorrido.

   Existem dois níveis de unção: a externa e a interna.

   A unção externa é aquela onde o Espírito Santo vem SOBRE nós e nos leva a fazer algo para Deus. Jesus disse: "O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para..." e então segue-se uma lista das coisas que esta unção sobre ele o levaria a fazer para Deus (Lc.4:18).

   A unção interna é aquela onde o Espírito Santo flui EM (dentro) nós, e Deus é que faz algo por nós. João escreveu em sua epístola acerca da unção que recebemos do Santo, que FICA EM NÓS e nos ensina todas as coisas (I Jo.2:27).

   Em suma: com um tipo de unção fazemos algo para Deus, com outro Deus é que faz para nós... Sansão descobriu que experimentar somente a unção externa, e vencer o inimigo, não é suficiente. Pois para vencer o desgaste resultante da batalha (a sede que quase o matou), é preciso uma fonte; e isto fala da unção interior que refrigera.

A FONTE DO QUE CLAMA

   A fonte que Deus abriu ganhou um nome: En-Hacore. Significa: "a fonte do que clama". Pois foi em oração que Sansão a alcançou. Semelhantemente, cada um de nós também precisa desta fonte que só se experimenta mediante oração, refrigerando-nos e dando-nos descanso quando encontramo-nos cansados da batalha.

   Uma das figuras do Espírito Santo na Bíblia, é a de uma fonte:

   "Ora, no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim e beba.

   Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva.

   Ora, isto ele disse a respeito do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito ainda não fora dado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado." João 7:37-39.

   Somos convidados por Jesus a beber de uma fonte que sacia a nossa sede. Esta fonte é o bendito Espírito Santo; e observe o detalhe: "flui do nosso interior". Não é nada mais nada menos que a unção interior.

   Deus abriu aquela fonte em Leí porque Sansão orou; e abrirá em nossas vidas quando orarmos. Mas se orarmos EM LÍNGUAS, não só experimentaremos o mesmo que Sansão, encontrando alento e refrigério, mas também nos enquadraremos na profecia de Isaías que relaciona o falar em línguas com o descanso e refrigério.

   E mais: Jesus falou sobre um saciar da sede bebendo de um rio que jorra do íntimo de cada um de nós. A Bíblia diz que a água flui de nosso interior; e eu pergunto: por onde jorra? Por nossos lábios, quando falamos em línguas!

   A linguagem sobrenatural de oração do Espírito Santo é a única coisa em nossa vida cristã, que é do Espírito Santo, flui por nossas bocas, sacia-nos a sede!

   Exercite pacientemente seu espírito, dia após dia, mediante o falar em línguas e as mudanças se manifestarão, e somado a elas, sempre que necessário, também o refrigério espiritual.



Extraído do Livro "Falar em Línguas: A Linguagem sobrenatural da oração"