segunda-feira, 9 de junho de 2014

SÉRIE HERÓIS DA FÉ: ELIAS - PARTE 2

4. O CAMPO DE TREINAMENTO EM SAREPTA

Depois de ter passado com sucesso pelo treinamento em Campo Querite, um período ainda mais exigente de treinamento o esperava num lugar chamado Sarepta.

O riacho seco era apenas o começo. Deus tinha planos para Elias que o levariam para longe daqueles dias calmos de isolamento e medi­tação, onde a vida ao lado do riacho e aves que cumpriam fielmente a tarefa de garçons de suas refeições eram apenas uma rotina simples, ininterrupta e regular. Todo homem que fosse usado por Deus como Elias o foi nos anos seguintes deveria passar primeiramente por um treinamento avançado. Para Elias, esse treinamento se realizou na cidade de Sarepta.

Então, lhe veio a palavra do Senhor, dizendo: Dispõe-te, e vai a Sarepta, que pertence a Sidom, e demora-te ali, onde orde­nei a uma mulher viúva que te dê comida”. 1 Reis 17:8-9

4.1 SAREPTA

Do mesmo modo como fizemos anteriormente, vamos analisar o nome deste lugar aonde o profeta deveria ir. Sarepta deriva de um verbo hebraico que significa “fundir, refinar”. E interessante perce­ ber que, na forma de substantivo, Sarepta quer dizer “cadinho”. Não sabemos ao certo, mas o nome do lugar pode ter origem na denomi­nação de uma planta híbrida. Todavia, qualquer que seja a origem de seu nome, Sarepta viria a ser realmente um “cadinho” para Elias: um lugar planejado por Deus para refinar ainda mais seu profeta e fazer uma grande diferença para o restante de sua vida.

Se você andar com o Senhor por bastante tempo, vai descobrir que suas provas se sucedem. Talvez seria melhor dizer que ocorrem uma atrás da outra, da outra, da outra, da outra e da outra. Normal­ mente seus testes preparatórios não ficam apenas em um ou dois. Eles se multiplicam. Assim que você conclui um teste severo, pen­sando “ótimo, passei por este!”, você é jogado em outro, no qual as chamas estão ainda mais quentes.

Dispõe-te, e vai a Sarepta, que pertence a Sidom, e demora-te ali, onde ordenei a uma mulher viúva que te dê comida”. 1 Reis 17:9

Não posso falar por você, mas eu consideraria isso como uma lição de humildade. Deus não disse “estou ordenando que você vá a Sarepta para poder ajudar uma viúva pobre”. Ao invés disso, era a viúva pobre que ajudaria este famoso profeta do Senhor que estivera diante da face do rei. E um maravilhoso lembrete de que normal­ mente são as coisas mais humildes que nos preparam para as grandes tarefas.

4.2 AS PROVAS DE ELIAS EM SAREPTA

Elias reagiu ao plano de Deus com pronta obediência:

Então, ele se levantou e se foi a Sarepta; chegando à porta da cidade, estava ali uma mulher viúva apanhando lenha; ele a chamou e lhe disse: Traze-me, peço-te, uma vasilha de água para eu beber. Indo ela a buscá-la, ele a chamou e lhe disse: Traze-me também um bocado de pão na tua mão”. 1 Reis 17:10-11

Logo na chegada de Elias, encontramos dois testes.

Primeiramente, o teste da primeira impressão:

Porém ela respondeu: Tão certo como vive o Senhor, teu Deus, nada tenho cozido; há somente um punhado de farinha numa panela e um pouco de azeite numa botija; e, vês aqui, apanhei dois cavacos e vou preparar esse resto de comida para mim e para o meu filho; comê-lo-emos e morreremos”. 1 Reis 17:12

Que surpresa! Bem-vindo a Sarepta, Elias! Era esta a pessoa que iria sustentá-lo?

Elias foi a Sarepta esperando pelo menos um pouco mais de provisões do que as que tinha em Querite. No entanto, a primeira impressão dava outra idéia. Aparentemente ele teria menos. Talvez ele não viesse a morrer de sede, mas parecia que ia ter uma fome de matar.

Elias chegou a Sarepta e não viu nada além de uma viúva procuran­ do gravetos para fazer uma fogueira, preparar sua última refeição e morrer de fome. Que decepção depois de uma longa e árdua jornada. Isso nos leva ao segundo teste: o teste das impossibilidades físicas.

Elias havia passado por uma situação que, aos olhos humanos, era impos­sível. Mas a boa notícia é que ele olhou além das circunstâncias. Tra­tou do problema com fé, não com medo. Veja o que ele fez:

Elias lhe disse: Não temas; vai e faze o que disseste; mas pri­meiro faze dele para mim um bolo pequeno e traze-mo aqui fora; depois, farás para ti mesma e para teu filho. Porque as­ sim diz o Senhor, Deus de Israel: A farinha da tua panela não se acabará, e o azeite da tua botija não faltará, até ao dia em que o Se n h o r fizer chover sobre a terra. Foi ela e fez segundo a palavra de Elias; assim, comeram ele, ela e a sua casa muitos dias. Da panela a farinha não se aca­ bou, e da botija o azeite não faltou, segundo a palavra do Senhor, por intermédio de Elias.”. 1 Reis 17:13-16




4.3 QUATRO LIÇÕES EM SAREPTA




Número um: A orientação de Deus é sempre surpreendente; não tente analisá-la. Se Deus o manda para Sarepta, não tente entender por quê. Apenas vá. Se Deus coloca você numa situação difícil e você tem paz no coração de que deve permanecer ali, não tenta analisar ou fugir. Fique firme. Quanto mais eu vivo, mais vejo que a direção de Deus é ilógica no aspecto humano. Ela é um mistério, pelo menos em nossa perspectiva limitada.

Número dois: Os primeiros dias geralmente são os mais difíceis; não desista. Lembra-se de meu comentário sobre a síndrome da pri­meira impressão? Pois ela é real, e pode nos levar ao pânico ou fazer- nos jogar a toalha. Não jogue. O inimigo de nossas almas adora nos tirar do caminho, nos desencorajar e nos tentar a desistir. Aprenda­mos com o exemplo de Elias. Nem mesmo uma pobre viúva, que mal tinha energia para apanhar lenha para preparar sua última refei­ção, foi capaz de desmotivá-lo. Deus ainda usou a fé de Elias para reacender a fé da viúva e dar-lhe um a razão para prosseguir. A con­fiança em Deus é contagiante.

Número três: As promessas de Deus dependem de obediência; não deixe de fazer sua parte. “Elias, levante-se e vá”, disse Deus. E Elias se levantou e foi. “Mulher, entre e prepare a comida”, disse Elias. E ela foi e preparou. Um a promessa cumprida geralmente é o resultado de nossa obediência. Quando as promessas têm condições, nossa obediência precede a provisão de Deus. Tenha cuidado com qualquer ensinamento que leve à passividade. Descansar no Senhor é uma coisa; indiferença passiva é algo completamente diferente.

Número quatro: As provisões de Deus são justas; não deixe de agradecer-lhe. Talvez você não tenha o emprego que gostaria, mas você tem um emprego. Talvez não esteja na posição que sonhou, mas as provisões de Deus são suficientes... justas. Se você postergar seus agradecimentos até que seus sonhos sejam realizados, é bem possível que se torne um cristão irritante, daqueles que estão sempre esperan­do por mais. Contentamento agradecido é uma virtude muito neces­sária em nossa cultura consumista.

4.4 A RESSURREIÇÃO

Depois disto, adoeceu o filho da mulher, da dona da casa, e a sua doença se agravou tanto, que ele morreu”. 1 Reis 17:17

A primeira pergunta que vem à mente quando leio este trecho de abertura da história é “Depois do quê?”. Quais foram as circunstân­cias que levaram a estes acontecimentos na vida de Elias? Relembre junto comigo enquanto repassamos os eventos anteriores.

Primeiro, Deus deu a Elias a coragem de confrontar Acabe e anunciar a seca. Exatamente depois desse evento, Deus disse a Elias uma coisa incrível: ele não deveria permanecer em público; em vez disso, deveria correr e se esconder no riacho de Querite. Enquanto estivesse lá, seria alimentado pelos corvos duas vezes ao dia e beberia da água do riacho - o qual, mais tarde, secou. Em Querite, durante um período de tempo indeterminado, Elias simplesmente esperou em Deus na solidão e na obscuridade. Este processo o transformou num homem de Deus. Ele aprendeu a depender de seu Senhor.

A seguir, Deus enviou Elias a Sarepta. Era necessário ser colocado na linha em Querite para depois passar pelo cadinho do refino em Sarepta. Quando chegou lá, encontrou uma viúva com seu filho a ponto de morrer de fome. Por direção de Deus, Elias mudou-se para lá. O profeta disse à mulher: “Confiaremos em Deus para nossas necessidades diárias”. E, com certeza, Deus agiu dia após dia (como ele sempre faz). A panela de farinha nunca esvaziou, e a botija de azeite nunca se secou. Deus supriu suas necessidades todos os dias.

E foi assim, neste contexto de esconderijo e fuga — “depois disto” - que Elias enfrentou outra situação impossível. Mas há uma dife­rença. Neste ponto da história Elias já estava acostumado a enfrentar o impossível. Sua fé havia amadurecido. Ele está pronto para a próxi­ma prova, confiando em seu Deus.

Então, disse ela a Elias: Que fiz eu, ó homem de Deus? Vieste a mim para trazeres à memória a minha iniquidade e matares o meu filho? Ele lhe disse: Dá-me o teu filho; tomou-o dos braços dela, e o levou para cima, ao quarto, onde ele mesmo se hospedava, e o deitou em sua cama. Então, clamou ao SENHOR e disse: Ó Senhor, meu Deus, também até a esta viúva, com quem me hospedo, afligiste, matando-lhe o filho?” 1 Reis 17:18-20

Elias pode ter-se calado diante da mulher, mas não de Deus. É diante dele que o profeta levanta as questões mais difíceis.

Sozinho, à sombra de Deus... é ali que acontecem tais batalhas. Elias foi capaz de ser totalmente sincero com Deus porque havia desenvolvido tal familiaridade com o tempo que passou em seu cam­po de batalha particular - em seu próprio refúgio espiritual.

E, estendendo-se três vezes sobre o menino, clamou ao Se­nhor e disse: Ó Senhor, meu Deus, rogo-te que faças a alma deste menino tornar a entrar nele”. 1 Reis 17:21

Mas, espere um pouco. O que está acontecendo aqui? Até este momento nas Escrituras não há registro de ninguém que tenha sido ressuscitado dos mortos.

Então, Elias está pensando o quê? Como ele poderia ser tão ou­ sado a ponto de pedir a Deus uma coisa assim, sem precedentes?

O Senhor atendeu à voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu”. 1 Reis 17:22

Nenhuma palavra pode descrever o que aconteceu naquele quarto quando aquele menino começou a se mover, e Elias viu a vida voltan­do ao corpo. Não há palavras para descrever o estar no meio de tal provação e presenciar a ação de Deus, num miraculoso período ou apenas num momento. Apenas quem esteve ali pode acenar a cabeça, sorrir e dizer: “Amém. Sei exatamente do que você está falando. Eu vi Deus operando assim”.


Elias encarou o impossível com calma e alegria, com bondade e autocontrole, com fé e humildade. Conforme estamos dizendo des­de o início, Elias foi heróico em atos de bravura de fé, mas sempre foi um modelo de humildade.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

SÉRIE HERÓIS DA FÉ: ELIAS


O capítulo 11 de Hebreus é uma espécie de versão condensada da Seleções de Readers Digest de homens e mulheres de fé do Antigo Testamento. Esse capítulo nos apresenta seus nomes e nos diz, resu­midamente, o que eles fizeram... “pela fé”. Este valioso registro não apenas abre nossos olhos da fé, desafiando-nos a andar como eles andaram, mas também nos dá extraordinários insights dos notáveis caminhos de Deus.

• “Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício”.
• “Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte”.
• “Pela fé, Noé, divinamente instruído acerca de acontecimen­tos que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca”.
• “Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu”.
• “Pela fé, também, a própria Sara recebeu poder para ser mãe”.
• “Pela fé, igualmente Isaque abençoou a Jacó e a Esaú”.
• “Pela fé, Jacó, quando estava para morrer, abençoou cada um dos filhos de José”.
• “Pela fé, José, próximo do seu fim, fez menção do êxodo”.
• “Pela fé, Moisés, apenas nascido, foi ocultado por seus pais, durante três meses”.
• “Pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chama­ do filho da filha de Faraó”.
• “Pela fé, Raabe, a meretriz, não foi destruída com os desobe­dientes”.

Depois dessa maravilhosa lista de homens e mulheres, chegamos à surpreendente declaração: “Mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos” (Hb 11:35).

Acho interessante o fato de Elias não estar incluído na “Galeria dos Heróis da Fé” . Mesmo tendo uma vida m arcada por um ato de fé atrás do outro, Deus escolheu não mencioná-lo, ao menos pelo nome. Mas, quando chegamos a esta declaração - “Mulheres re­ceberam, pela ressurreição, os seus mortos” - creio que Deus tinha a fé de Elias em mente, pois um desses retornos à vida aconteceu nos dias de Elias e debaixo de seus olhos. Foi Deus quem operou este milagre, usando seu profeta e servo Elias.



ELIAS

Elias, o tisbita: Somos apresentados a ele primeiramente como Elias, o tesbita (1 Rs 17:1). Isso é que é fim de mundo! Se você achou que a cidade- zinha de Mission, no grande Estado da Estrela Solitária, era um vilarejo empoeirado e perdido no meio do nada, tente localizar Tisbé no mapa da região de Gileade, no Oriente Médio antigo. Um estudioso tão renomado quanto Merril E Unger não hesita em enfatizar a obscuri­dade das raízes daquele homem: “o termo tesbita se refere a um nati­vo de certa cidade de nome Tisbé, ou algo similar... a localização dessa cidade é desconhecida

Embora Elias tenha vindo desse lugar insignificante - ou seja, do meio do nada -, ele fez tal contribuição para o plano de Deus e para o seu povo que se tor­nou um dos heróis mais famosos de Israel. Ele se tornou uma lenda.

1. A PROVA HISTÓRICA

Por uns bons cem anos, os israelitas tinham vivido sob o reinado de apenas três reis: Saul, Davi e, por último, Salomão. Estes três governan­tes de Israel foram homens grandes e famosos em muitos aspectos, embora nenhum deles tenha escapado do pecado e do fracasso. Por causa disso, no final da vida de Salomão, uma guerra civil teve início no reino que fora unido sob a ungida liderança de Deus. Conforme a batalha crescia em intensidade, a nação ia se dividindo no reino do norte, mais comumente chamado de Israel, e no reino do sul, referido como Judá. Essa divisão permaneceu até que ambos os reinos caíssem diante de invasores estrangeiros, e os judeus fossem levados ao cativeiro.

Do início da divisão até o cativeiro de Israel, um período de aproximadamente 200 anos, o reino do norte teve 19 monarcas e todos eles foram ímpios. Este ambiente maléfico prevaleceu em Israel até a invasão dos assírios, em 722 a.C.

O reino do sul, por outro lado, esteve sob a liderança de 17 governantes durante um período de 300 anos. Oito desses reis fize­ram “o que era reto perante o Senhor”, mas nove deles foram ímpios que não serviram a Deus nem andaram com ele. O reino do sul — Judá - terminou com a destruição de Jerusalém em 586 a.C. e o subsequente cativeiro babilónico de 70 anos.

Vejam caos, por exemplo, Jeroboão, o primeiro rei do reino do nor­te. Ele é irnmportante não apenas por sua posição como o primeiro monarca daquele período, mas porque ele foi o rei que deliberada­ mente plantou as sementes da idolatria entre o povo de Israel.
Depois destas coisas, Jeroboão ainda não deixou o seu mau caminho; antes, dentre o povo tornou a constituir sacerdotes para lugares altos; a quem queria, consagrava para sacerdote dos lugares altos”. 1 Reis 13:33

O terreno “lugares altos” geralmente se refere aos altares pagãos usados para a adoração de deuses pagãos e de ídolos. Assim, logo de saída, aprendemos que o primeiro rei do reino do norte ordenou sacerdotes para a adoração de falsos deuses. De forma aberta e ousa­da, o rei Jeroboão promoveu a idolatria. Além disso, ele reinou por 22 anos como um homem enganador e assassino.

O quinto rei de Israel, Onri, a bíblia diz: “Então, o povo de Israel se dividiu em dois partidos: metade do povo seguia a Tibni, filho de Ginate, para o fazer rei, e a outra metade seguia a Onri. Mas o povo que seguia a Onri prevale­ ceu contra o que seguia a Tibni, filho de Ginate. Tibni mor­ reu, e passou a reinar Onri. No trigésimo primeiro ano de Asa, rei de Judá, Onri começou a reinar sobre Israel e reinou doze anos. Em Tirza, reinou seis anos. De Semer comprou ele o monte de Samaria por dois talentos de prata e o fortificou; à cidade que edificou sobre o monte, chamou-lhe Samaria, nome oriundo de Semer, dono do monte. Fez Onri o que era mau perante o Senhor; fez pior do que todos quantos foram antes dele. Andou em todos os caminhos de Jeroboão, filho de Nebate, como também nos pecados com que este fizera pecar a Israel, irritando ao Senhor, Deus de Israel, com os seus ído­los... Onri descansou com seus pais e foi sepultado em Samaria; e Acabe, seu filho, reinou em seu lugar”. 1 Reis 16:21-26,28

Apesar de todo o derramamento de sangue, da idolatria e impie­dade dos reis que o antecederam, o escritor ainda diz que Onri ‘ fez pior do que todos quantos foram antes dele”. E aí chega seu filho, Acabe!

1.1 ACABE E JEZABEL

Neste ponto de 1 Reis, a narrativa histórica relata que houve um casamento e Jezabel é apresentada. “Como se fora coisa de somenos andar ele nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi, e serviu a Baal, e o adorou”. 1 Reis 16:31

“BAAL era adorado como o Deus da chuva e da fertilidade, aquele que controlava as estações do ano, as colheitas e a terra. Quando a adoração a Baal entrou no reino de Israel, trazendo suas práticas pa­gãs e os sacrifícios bárbaros, a impiedade da terra só cresceu”.

Levantou um altar a Baal na casa de Baal que ele edificara em Samaria. Também fez uma asera (Mãe de Baal). De maneira que Acabe fez muito mais para provocar à ira o Senhor Deus de Israel do que todos os reis de Israel que o antecederam. 1 Reis 16:32-33.

1.2 E N T Ã O …

Então, Elias, o tesbita, dos moradores de Gileade, disse a Aca­be: Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra”. 1 Reis 17:1



2. ELIAS: ORIGEM

2.1 SEU NOME

A primeira coisa que exige nossa atenção é o nome de Elias. A palavra hebraica para “Deus” no Antigo Testamento é Elohim, usada em al­guns momentos na forma abreviada de El. A palavra jah é o termo usado para “Jeová”. Assim, no nome de Elias (Elijah) encontramos as palavras usadas para “Deus” e “Jeová”. Entre elas existe um pequeno “i” que, em hebraico, é uma referência ao pronome pessoal “meu”. Colocando as palavras juntas, descobrimos que o significado do nome Elias é “Meu Deus é Jeová” ou “o Senhor é o meu Deus”.

2.2 SUA TERRA

O segundo ponto importante é o lugar de origem de Elias. Ele era de Tisbé e, por isso, é chamado de “Elias, o tesbita”. Lembre-se de que sabemos muito pouco sobre Tisbé, sendo que até sua localização não é exata. No entanto, o texto indica claramente que ela ficava em Gileade, no norte da Transjordânia, isto é, do lado leste do rio Jor­dão. A partir desta pista, os historiadores juntaram alguns fragmen­tos com o auxílio da pá dos arqueólogos.

Gileade era um lugar solitário e de vida ao ar livre, onde seus habitantes eram provavelmente rudes, queimados do sol, musculo­sos e fortes. Nunca foi um lugar de educação, sofisticação e diploma­ cia. Era uma terra árida, e muitos acham que a aparência de Elias tinha muita relação com sua terra. Seus hábitos beiravam o grosseiro e o áspero, o violento e o severo.

2.3 SEU ESTILO

Lembre-se: o reino de Israel conhecera cinco ou mais anos de descrença, assassinatos, idolatria, impiedade e governantes degoladores. Com o se não bastasse, o rei atual e sua parceira dominadora eram os piores da turma. Naquele instante, pisa no palco um profeta vindo de lugar nenhum. Ele não segue o protocolo, não se apresenta ou faz qualquer deferência à presença real. O homem não tem ne­nhuma sofisticação, educação ou treinamento, nem segue os modos da corte. Ele simplesmente chega e anuncia: “Tão certo como vive o Senhor , Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra”. Suas palavras parecem até triviais, mas não se esqueça de que ele estava balançando o punho bem diante da cara do diabo. Ele estava pondo as coisas em pratos limpos. Baal era o deus da fertilidade e das chuvas.


2.4 LIÇÕES INICIAIS SOBRE O CHAMADO DE ELIAS

Primeira: Deus busca pessoas especiais em tempos difíceis. Deus precisava de um homem especial para jogar luz na escuridão daque­les dias. Mas Deus não encontrou este homem no palácio ou na corte. Não o encontrou andando de cabeça baixa na escola de profe­tas. Ele nem mesmo o encontrou nas casas das pessoas comuns. De todos os lugares onde procurou, Deus o encontrou em Tisbé. Um homem que se colocaria na brecha não poderia ser alguém delicado e manso: ele tinha de ser durão.

Qual é sua estatura e sua integridade? Você corrompeu seus prin­cípios apenas para permanecer nos negócios? Para conseguir uma boa nota? Para fazer parte do time? Para subir um posto na hierarquia? Você fechou os olhos e os ouvidos para a linguagem ou o comportamento que há alguns anos o deixariam horrorizado? Será que agora, neste exato momento, você não está moral­ mente comprometido porque não quer ser tachado de puritano?

Segunda: Os métodos de Deus normalmente são surpreendentes. Deus não levantou um exército para destruir Acabe e Jezabel. Tam­bém não mandou um príncipe cintilante para defender a causa ou tentar impressionar suas reais majestades. Ao invés disso, Deus fez o inimaginável: escolheu alguém como... bem, como Elias.

Terceira: Nós nos colocamos diante de Deus. Quando você se coloca na brecha está, em última análise, se colocando diante de Deus. Estaremos prontos ou desejosos de nos colocar diante de Deus quan­do ele nos chamar? Será que ele encontrará em nós corações comple­tamente entregues a ele? Será ele capaz de dizer: “Sim, este coração é completamente meu. Sim, ele está suficientemente comprometido comigo, de modo que posso usá-lo contra um Acabe qualquer. Este é o tipo de devoção que estou procurando”?


3. O CAMPO DE TREINAMENTO EM QUERITE

Veio-lhe a palavra do Senhor, dizendo: Retira-te daqui, vai para o lado oriental e esconde-te junto à torrente de Querite, fronteira ao Jordão. Beberás da torrente; e ordenei aos corvos que ali mesmo te sustentem. Foi, pois, e fez segundo a palavra do Senhor; retirou-se e habitou junto à torrente de Querite, fronteira ao Jordão”. 1 Reis 17:2-5

Esse tipo de treinamento rude era exatamente o que o Senhor tinha em mente quanto enviou seu servo Elias da corte do rei Acabe para o riacho de Querite. O profeta mal tinha idéia que sua retirada para Querite seria a sua própria experiência num campo de treina­ mento. Ali, ele seria treinado para confiar em seu líder de modo que pudesse, por fim, batalhar contra um inimigo traiçoeiro. Para conse­guir isso, o Senhor iria “colocá-lo na linha” em Querite.

Enquanto nós optamos por deixar Elias ali, bem diante do nariz de Acabe, Deus optou por outro plano. Ele tinha coisas que queria operar no profundo da alma de seu servo, trabalhando situações em que um Elias despreparado, desobediente e descompromissado seria destruído. Por causa disso, Deus o enviou imediatamente para um lugar de isolamento, escondido de todo o mundo, onde ele não apenas seria protegido de perigos físicos, mas seria mais bem preparado para uma missão ainda maior.

Para que o herói piedoso fosse útil como um importante instru­mento nas mãos de Deus, ele deveria ser humilhado e forçado a con­fiar. Em outras palavras, ele deveria “ser colocado na linha”. Ou, como A. W Tozer adorava dizer: “não creio que Deus possa abençoar abun­dantemente alguém até que esta pessoa seja profundamente ferida por ele”.1 Com o passar dos anos, tenho observado que, quanto maior a ferida, maior é a utilidade.

3.1 QUERITE

E comum no Antigo Testamento que os nomes originais dos lugares tenham um significado simbólico. E exatamente isso que acon­tece com o termo hebraico “Querite”. Apesar de não ser possível iden­tificar hoje a localização do riacho (ou torrente, conforme o texto bíblico), sabemos que seu nome deriva do verbo original Cha-rath, que significa “cortar, colocar no tamanho certo” . A palavra é usada no Antigo Testamento nos dois sentidos: ser cortado (separado) dos outros ou estar privado das bênçãos de uma aliança, e também no sentido de aparelhar uma peça de madeira para construção, deixan­do-a no tamanho correto a ser usado.

3.2 O TREINAMENTO - Precisamos desejar ser deixados de lado tanto quanto ser usados.

1° - A primeira coisa que ele deveria fazer era se esconder.

Retira-te daqui, vai para o lado oriental e esconde-te junto à torrente de Querite, fronteira ao Jordão”. 1 Reis 17:3

Elias poderia dizer: “Eu, me esconder? Sou um profeta! Sou um homem do palácio. Estou ali, no meio de todo o mundo, proclamando sua Palavra. Parece que o Senhor se esqueceu, Deus, mas eu fui chamado para pregar.”

Não, disse Deus, não desta vez. “Esconde-te”, disse o Senhor

Uma das ordens mais difíceis de ouvir e obedecer é o comando “esconda-se”. A admoestação para ir e ficar a sós, para fugir e sair de debaixo das luzes, de ficar para trás e deliberadamente se esconder. Isso é especialmente verdadeiro se você é uma pessoa que se sente confortável sob as luzes da ribalta, um tipo de pessoa que gosta de estar na frente, aquele que tem o dom da liderança. Isso também é verdadeiro se você é do tipo “fazedor”. Aquela pessoa “pau para toda obra”.

3.3 A PROVISÃO DE DEUS - A direção de Deus inclui a provisão de Deus.

A primeira coisa que Deus faz depois de mandar Elias para o Campo Querite é dizer-lhe como ele vai sobreviver. Será uma dura e solitária experiência, uma aventura de sobrevivência. Por isso Deus faz uma notável promessa:

Beberás da torrente; e ordenei aos corvos que ali mesmo te sustentem”. 1 Reis 17:4

Ao escrever sobre Elias, A. W. Pink disse o seguinte:

O profeta precisava de mais treinamento em secreto se quises­se falar novamente de Deus em público... o homem que Deus usa precisa ser mantido humilde: ele precisa experimentar dis­ciplina severa... são necessários mais três anos de experiências em secreto. Que humilhante! Meu Deus, como o homem pre­cisa se humilhar para poder ser confiável. Como é difícil para ele entender o que é preciso para ser colocado no lugar de honra! Com que facilidade o eu sobe à superfície e como o instrumento facilmente acredita que é algo mais que um sim­ pelos instrumento. É triste vermos com que facilidade fazemos do próprio serviço que Deus nos confiou um pedestal sobre o qual mostramos a nós mesmos”.

Na essência, Deus disse a Elias: “Você precisa sair dos holofotes. Precisa subir a montanha, sozinho comigo, para que possa ouvir mi­ nha voz com clareza. Temos de passar mais tempo juntos, Elias, e você precisa de mais treinamento”.

As boas-novas são estas: sem um momento sequer de hesitação, Elias obedeceu. Ele nem mesmo perguntou por quê.

Foi, pois, e fez segundo a palavra do Senhor; retirou-se e ha­ bitou junto à torrente de Querite, fronteira ao Jordão”. 1 Reis 17:5

Preste atenção nas palavras usadas aqui. Elias retirou-se e viveu junto à torrente de Querite. Uma coisa é sair de casa para fazer um passeio de um dia ou ir acampar por um final de semana ou até mesmo escalar uma montanha por duas ou três semanas. Essas aventuras nos dão todo o prazer de estar longe por um tempo das preocupações do mundo real, mantendo o conforto de saber que nossa conexão com a civilização ainda existe. Outra coisa completamente diferente é viver no ermo, sozinho, por um longo tempo. Mas foi exatamente isso que Elias fez por vários meses, possivelmente durante todo o ano.

Se você já foi a Israel, na área próxi­ma ao Jordão, então sabe quanto a água é preciosa naquela região em qualquer época do ano, ainda mais durante um período de seca. E Deus deu a seu profeta um rio de água fresca e pura. A qualquer hora ele podia ajoelhar-se ou deitar-se à beira do riacho e beber aquela fresca água vivificadora, naquela terra seca e sedenta.

Mas não é sempre que podemos viver ao lado de um riacho borbulhante. Lembre-se de que não estamos na Ilha da Fantasia: isso aqui é um campo de treinamento radical. Tempos de treinamento intensivo e extensivo são matérias obrigatórias no currículo do curso de Construção de Caráter de Deus.

Mas, passados dias, a torrente secou, porque não chovia sobre a terra”. 1 Reis 17:7

Foi isso o que aconteceu com John Bunyan, lá nos idos do sécu­lo XVII, na Inglaterra. Ele pregou contra a impiedade de seus dias, e as autoridades o jogaram na prisão. Seu riacho de oportunidade e liberdade secou. Mas pelo fato de Bunyan crer que Deus estava vivo e ativo, aquele homem transformou a prisão num lugar de louvor, serviço e criatividade quando começou a escrever O Peregrino, a mais famosa alegoria da história da língua inglesa. Riachos secos não can­celam de modo algum o plano providencial de Deus. Muitas vezes os riachos fazem que os planos sejam revelados.

3.4 LIÇÕES SOBRE O CAMPO DE TREINAMENTO

Antes de irmos mais além, chegamos a um bom lugar para fazer uma pausa e refletir. Duas lições vêm a minha mente quando consi­dero este segmento da vida de Elias. Primeiro, o Deus que dá a água também pode reter a água. Este é um direito soberano de Deus.

Três versículos saídos da pena de Isaías ministraram a meu cora­ção quando meu riacho estava se transformando num fio d’água e, por fim, secou. Esses versículos se tornaram um lembrete encorajador de quem está no controle e impediram que eu ficasse ressentido.

Mas Sião diz: O Senhor me desamparou, o Senhor se esque­ceu de mim. Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das mi­nhas mãos te gravei; os teus muros estão continuamente perante mim”. Isaías 49:14-16

Deus também não se havia esquecido de Elias, lá no lado leste do Jordão, ao lado do riacho de Querite, que agora se havia transfor­mado num leito seco, cheio de areia e pedras. E é nesse momento que a segunda lição chega à vida de Elias, pois o riacho seco era resulta­ do da própria oração de Elias.

Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos senti­mentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu”. Tiago 5:17

De acordo com essa afirmação presente no Novo Testamento, na carta de Tiago, Elias orara para que não chovesse e, por consequên­cia, não choveu por três anos e meio. Assim, o riacho seco era uma indicação de que aquilo pelo que ele orara estava começando a acon­tecer. Ele estava vivenciando o resultado de sua própria oração.

Isso já aconteceu com você? “Senhor, faça de mim um homem piedoso. Senhor, molde-me de modo a me tornar uma mulher se­gundo a tua vontade”. Enquanto isso, lá em seu coração, você está pensando: mas não machuque demais. “Senhor, faça-me firme, com­ passivo e gracioso”, mas não tire de mim o conforto material. “Deus, ensine-me a ter fé, faça-me forte”, mas não me deixe sofrer. Você já fez este tipo de barganha com Deus? Queremos maturidade instantâ­nea, não aquela que requer sacrifício, dor emocional ou dificuldades. “Senhor, dê-me paciência, mas que seja agora mesmo!”

3.5 CONCLUSÃO

Elias foi para Querite como um poderoso porta-voz de Deus: um profeta. Saiu de Querite como um homem que se aprofundou mais em Deus. Tudo isso aconteceu porque ele foi “colocado na li­nha” ao lado de um riacho que secou.