sábado, 31 de julho de 2010

O Acusador

Por Warren W. Wiersbe, Pastor da Moody Church.

 

   Então, ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e o poder, e o reino do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo; porque já foi lançado fora o acusador de nossos irmãos, o qual diante do nosso Deus os acusava dia e noite. - Ap. 12:10
E a quem perdoardes alguma coisa, também eu... para que Satanás não leve vantagem sobre nós; porque não ignoramos as suas maquinações. - 2 Co. 2:10-11
Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, o qual não traz pesar; mas a tristeza do mundo opera a morte. - 2 Co. 7: 10


    Suponhamos que o crente não aceita as vantagens que lhe oferece sua posição vitoriosa em Cristo. Suponhamos que se nega a utilizar as defesas espirituais que lhe oferecem. Suponhamos que o crente peca. Então, o que acontece?
    Poderíamos pensar que Satanás, uma vez conseguindo que a pessoa peque, lhe deixa padecer as conseqüências, mas não é isto o que acontece. Satanás tem uma estratagema maior que pode fazer com que o cristão desobediente se sinta duplamente derrotado. Lemos a respeito dela em Zacarias 3.
   
"Ele me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do Senhor, e Satanás estava à sua mão direita, para se lhe opor.
Mas o anjo do Senhor disse a Satanás: Que o Senhor te repreenda, ó Satanás; sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreenda! Não é este um tição tirado do fogo?
Ora Josué, vestido de trajes sujos, estava em pé diante do anjo.
Então falando este, ordenou aos que estavam diante dele, dizendo: Tirai-lhe estes trajes sujos. E a Josué disse: Eis que tenho feito com que passe de ti a tua iniqüidade, e te vestirei de trajes festivos.
Também disse eu: Ponham-lhe sobre a cabeça uma mitra limpa. Puseram-lhe, pois, sobre a cabeça uma mitra limpa, e vestiram-no; e o anjo do Senhor estava ali de pé.
E o anjo do Senhor protestou a Josué, dizendo:
Assim diz o Senhor dos exércitos: Se andares nos meus caminhos, e se observares as minhas ordenanças, também tu julgarás a minha casa, e também guardarás os meus átrios, e te darei lugar entre os que estão aqui".





1. O objetivo de Satanás: seu coração e sua consciência


    Esta cena, a diferença das outras três que consideramos, tem lugar no céu. O cenário é o próprio de um tribunal: Deus é o Juiz, o supremo sacerdote; Josué, o acusado; e Satanás o fiscal que está tentando lhe condenar. Parece ser que o diabo tem um fundamento para a acusação, porque Josué está vestido com roupas sujas, e um supremo sacerdote devia levar sempre vestimentas limpas. O profeta Zacarias teve esta visão em um momento em que o povo de
    Israel tinha pecado contra o Senhor. O povo tinha retornado a Palestina depois do cativeiro na Babilônia, e existia a esperança de que a nação obedeceria a Deus e lhe servisse. Mas, por triste que seja dizê-lo, não tinham aprendido a lição.
    Quando lemos os livros do Esdras e Neemias, e as profecias de Zacarias, Ageu e Malaquias, descobrimos que os judeus estavam se divorciando de suas esposas e casando-se logo com pagãs; que os mercados judeus impunham a seus compatriotas umas tarifas de trocas exorbitantes; e que inclusive os principais sacerdotes estavam roubando a Deus, guardando para si a melhor parte dos sacrifícios.
    Isto explica por que as roupas sacerdotais de Josué estavam sujas. Ele representava ao povo diante de Deus, e aquele povo era pecador. Satanás sabia, e insistia a Deus que teria que julgar a Israel. Podemos imaginar os argumentos de Satanás:
    "Fixaste em seus servos em Israel, que são um povo rebelde e desobediente? Castigou-os levando-os a Babilônia, com a esperança de lhes ensinar obediência. Agora retornaram a sua terra, graças a sua bondade, e voltam para te desobedecer! Você é um Deus santo, e se supõe que Israel é um povo santo. Se for tão santo como afirma ser, deve julgar a Israel. Se não os julgar, eis que não é fiel a sua própria natureza ou a sua própria lei. Israel é culpado!"
    Como acreditam que Josué se sentiria ao longo de todo este julgamento? É evidente que teria o coração partido e a consciência tremendamente dolorida. Que defesa podia apresentar?
    Quando você e eu desobedecemos a Deus, Satanás passa a esse ataque final. Nos ataca em nosso coração e nossa consciência. "Assim que és cristão?", burla-se. "Pois não é um cristão muito bom! Vai à igreja, lê a Bíblia, inclusive tenta servir ao Senhor. E olhe o que tem feito agora! Se seus amigos da igreja soubessem que tipo de pessoa é na realidade, deixariam-lhe de lado!"
    Nota-se que Satanás é sutil e sem compaixão. Antes de que pequemos (quando está nos tentando) sussurra: "Mas não acontecerá nada!" Então, uma vez havendo pecado, grita-nos:
    "Jamais poderá livrar-te das conseqüências!". Escutou alguma vez esta sinistra voz em seu coração e em sua consciência? É suficiente para que um cristão se entregue ao desespero!



2. O Arma de Satanás: a acusação



    Quando Satanás fala com você de Deus, mente. Mas quando fala com Deus sobre você, às vezes diz a verdade! Ele é o "acusador de nossos irmãos". Tem acesso ao céu, diante do mesmo trono de Deus, e é dali onde recorda a Deus a condição em que se acham seus santos. Você e eu conhecemos essas acusações, porque as sentimos em nosso próprio coração e na consciência.


"Note no que acaba de fazer Abraão! Mentiu a respeito de sua esposa!"


"Mas viu o que tem feito Davi? Cometeu adultério com a mulher de seu vizinho, e depois o matou! Julga-o! Julga-o!"


"Estava escutando isso, Deus? Sim, sim, quando Pedro se amaldiçou e jurou, quando negou a seu Filho três vezes ... vais deixar que escape sem castigo?"


    É importante que aprendamos a distinguir entre as acusações de Satanás e quando o Espírito nos convence do pecado. Uma sensação de culpa e vergonha é boa se provier do Espírito de Deus. Se escutarmos ao diabo, o único que conseguiremos é acabar em meio das lamentações, o remorso e a derrota. Quando o Espírito divino lhe convence do pecado, utiliza a Palavra de Deus com amor, tentando que você retorne a comunhão com seu Pai. Quando Satanás lhe acusa, utiliza quão pecados você tenha cometido de uma forma carregada de ódio, e tenta que se sinta indefeso e sem esperança.
    Judas escutou ao diabo, saiu da cidade e se enforcou. Pedro contemplou o rosto de Jesus e chorou amargamente, mas logo voltou a ter comunhão com Ele.
    Quando escutamos as acusações do diabo (todas as quais podem ser certas), nos fazemos vulneráveis ao desespero e à paralisia espiritual. Ouvi mais de um cristão queixar-se: "Estou em uma situação limite!" ou "fui muito longe ... o Senhor jamais poderia voltar a me aceitar".
    Quando tiver este sentimento de falta de amparo, de desesperança, pode estar seguro de que Satanás lhe está acusando.
 

3. O propósito de Satanás: provocar uma condenação pela vontade de Deus


    Satanás deseja que nos sintamos culpados. Quer que experimentemos a dor e o remorso, mas não o arrependimento.
    Quer nos seguir acusando para que centremos a atenção em nós mesmos e em nosso pecado. Se alguma vez apartamos a vista e a enfocamos por fé em Jesus Cristo, nos arrependeremos, confessaremos nosso pecado e nos sentiremos restaurados e reintegrados à comunhão com Deus.
    Enquanto sentimos culpados, estaremos sob acusação, e nos apartaremos cada vez mais do Senhor. A verdadeira convicção do Espírito fará com que nos aproximamos mais dEle.
    Recordo de uma conversa telefônica que tive com uma senhora cristã que durante muitos anos havia vivido de baixo dessa sensação de acusação. Tinha me ouvido pelo rádio e me chamou para me pedir ajuda. Não sei seu nome, mas sei que seu caso é típico de muitos cristãos.
    Ela me contou: "Quando era adolescente, caí em um pecado verdadeiramente terrível. Uns anos depois, fui salva. Agora estou casada e tenho uma família. O outro dia o pastor pediu-me que desse aula na escola dominical, e eu gostaria de fazê-lo, mas meu passado me segue angustiando. Não é a primeira vez que me pedem que ensine, mas sempre recorri a alguma desculpa. Tenho que seguir vivendo assim durante o resto de minha vida?"
    Pedi-lhe que tomasse sua Bíblia e juntos (embora por telefone) liamos os versículos que queria lhe explicar na seguinte seção deste estudo. Não passou muito tempo antes de que se estivesse regozijando na forma em que Deus dissipava seus sentimentos de culpa. Confio em que hoje em dia ela segue servindo ao Senhor.
    Satanás quer que você se sinta culpado. Seu Pai celestial deseja que se sinta perdoado.
    Satanás sabe que se você viver sob a escura nuvem da culpa, não será capaz de dar um testemunho efetivo ou servir ao Senhor com poder e bênção.
    Por mas triste que seja dizê-lo, há muitas igrejas especializadas na culpa. Parece ser que acreditam que se um cristão que não vai para casa depois de um culto sentindo se um fracassado, é que esse culto não lhe fora uma bênção. Uma senhora escreveu-me dizendo: "Cada vez que vou a igreja, o pastor nos desrespeita. O que podemos fazer?" Não cabe dúvida de que há um lugar para a verdadeira convicção espiritual, mas não devemos nos especializar nela. Fazendo supor que caiu nas mãos do diabo.
    Paulo se encontrou com uma situação parecida na igreja de Corinto. Um de seus membros havia caido no pecado, recusando logo arrepender-se e arrumar as coisas com Deus e com a igreja. Em 1 Coríntios 5, Paulo pediu à igreja que disciplinasse a aquele homem; ao parecer, fizeram-no, porque Paulo escreveu:


"Basta a esse tal esta repreensão feita pela maioria". - 2 Co. 2:6

    No princípio, quando se detectou esse pecado, os crentes de corinto foram muito complacentes e recusaram atuar. A carta de Paulo influiu neles e lhes fez voltar para o sentido comum; mas foram ao extremo, e puseram uma disciplina tão difícil ao pecador e também não queriam lhe perdoar! De modo que Paulo teve que lhes aconselhar dizendo:



"... De maneira que, pelo contrário, deveis antes perdoar-lhe e consolá-lo, para que ele não seja devorado por excessiva tristeza. Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor... para que Satanás não leve vantagem sobre nós; porque não ignoramos as suas maquinações". - 2 Co. 2:7-8, 11
    Uma culpa e uma tristeza excessiva só conduzem à depressão, o desespero e a derrota. Às vezes conduzem à destruição; inclusive há casos de cristãos que tentaram suicidar se para escapar da acusação satânica.
    Então, qual é nossa defesa frente às acusações do diabo.

 


4. Sua defesa: o Filho de Deus, o intercessor



    É certo que Satanás está a nossa direita, para resistir e nos acusar. Mas também é certo que Jesus Cristo está à mão direita de Deus para interceder por nós!


"Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo". – 1 Jo. 2:1

    Nosso Senhor acabou sua obra na terra e retornou aos céus para continuar sua obra inconclusa. E qual é? Aperfeiçoar a seus filhos preparando-lhes para a glória.
   
"Ora, o Deus de paz, que pelo sangue do pacto eterno tornou a trazer dentre os mortos a nosso Senhor Jesus, grande pastor das ovelhas, vos aperfeiçoe em toda boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em nós o que perante ele é agradável, por meio de Jesus Cristo, ao qual seja glória para todo o sempre. Amém". - Hb. 13 :20-21

    Este ministério de aperfeiçoamento tem duas facetas.

    Como nosso Supremo Sacerdote, Jesus Cristo intercede por nós e nos oferece a graça que necessitamos quando somos provados e tentados. Se nos voltarmos para Ele, por fé, e nos aproximamos do trono da graça, Ele nos conduzirá à vitória.
    Mas se cedermos à tentação e ao pecado, então Ele exerce como nosso advogado para nos perdoar e nos restaurar à comunhão uma vez mais.

"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça". – 1 Jo. 1:9
    Voltemos a imaginar a cena daquele julgamento nos céus. Deus o Juiz está sentado em seu trono. O supremo sacerdote Josué está diante de Deus, vestido com roupas imundas.

    É culpado. Satanás está à direita de Josué, para opor-se e lhe acusar. Mas Jesus Cristo está à direita de Deus, para representar a Josué e lhe restaurar! Isto explica por que Jesus voltou para os céus com feridas (não cicatrizes) em seu corpo.
    Essas feridas são as evidências perpétuas de que morreu por nós. Deus foi misericordioso e manifestou sua graça para nos salvar quando pusemos nossa confiança em Cristo, mas é "fiel e justo" para nos perdoar quando lhe confessamos nossos pecados. É fiel para cumprir sua promessa, e justo porque Cristo morreu por nossos pecados e pagou o preço do nosso perdão. Como pecadores, somos salvos da ira de Deus por sua graça e misericórdia. Como filhos de Deus por lhes ter desobedecido, somos perdoados pela fidelidade e justiça divina.
    Fechou Deus os olhos ante a realidade do pecado de Josué?Claro que não! Deus nunca defenderá os pecados de seus filhos, mas sim defenderá a eles. Quando Abraão desobedeceu e foi ao Egito, mentindo ali referente a sua esposa, Deus não defendeu
os pecados de Abraão, mas sim a ele. Impediu que o governador manchasse a Sara, e ajudou a Abraão a sair a salvo do país. Abraão padeceu as conseqüências daquela aventura, porque o Egito fez com que Ló provasse o que era o mundo, o qual conduziu a seu posterior abandono de Deus e sua queda. A donzela egípcia, Agar, que trouxe Sara consigo, originou problemas no seu lar, e no final teve que ser expulsa.
    Mas Deus seguia governando, e superou o governo do mundo, para cumprir os seus propósitos com Abraão e Sara.
    Quando emprestamos ouvido as acusações de Satanás, centramos nossa atenção em nós mesmos e em nossos pecados; o qual nos levará a derrota e ao desespero. Mas quando emprestarmos ouvido o Espírito Santo que nos convence de pecado, olharemos por fé ao Jesus Cristo, lá nos céus, nosso advogado diante do trono de Deus. Recordaremos que morreu por nossos pecados e que Deus não nos pode rechaçar, porque pertencemos a Cristo. É devido à intercessão celestial do Filho de Deus pelo que você e eu podemos jogar por terra as acusações de Satanás.
    Nos demos conta de quais foram as fases da experiência de Josué, o supremo sacerdote.
    Primeiro, vemos a oposição de Satanás. O acusador enumera os pecados de Josué diante do trono de Deus, e lhe pede que, sendo como é santo, este julgue ao pecador.
    A segunda fase é a repreensão divina a Satanás. Mas o anjo do Senhor disse a Satanás: Que o Senhor te repreenda, ó Satanás; sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreenda! Não é este um tição tirado do fogo? - Zc. 3:2
    Sejamos conscientes de que a repreensão a Satanás se apóia na graça divina para seu povo. Você e eu fomos salvos pela graça. A graça de Deus não depende dos méritos humanos. Jesus Cristo passou pelo fogo do julgamento para poder nos salvar de suas chamas. Nossa relação com Deus não se apóia na lei ou no mérito; apóia-se plenamente na graça. A graça significa que Deus nos aceita em Jesus Cristo, não por nós mesmos.
    A terceira fase é a restauração de Josué. Deus lhes ordenou que lhe tirassem aquelas roupas sujas e o vestissem com roupas limpas (Santas). Inclusive lhe pôs uma "mitra" limpa sobre a cabeça, aquela que tinha uma placa de ouro que dizia "Santo ao Senhor" (veja Êxodo 28:36). Deus nem sequer lhe concedeu a liberdade condicional! Disse-lhe que retornasse ao templo e seguisse com seu serviço ao Senhor!
    Oposição, repreensão, restauração: estes são os três estágios na experiência de confissão dos pecados, retornando logo à comunhão com Deus. Satanás lhe acusará, mas não lhe preste atenção. Volte por fé a Jesus Cristo, seu advogado, e lhe confesse seus pecados. Dependa do que diz a Palavra de Deus, não de seus sentimentos. Descanse na graça de Deus, porque Lhe escolheu e não pensa em abandona-lo.
    Carlos Wesley expressou estas coisas em um formoso hino:


Misericórdia do Senhor! Acaso haverá misericórdia para mim, ainda ficará? Poderá acaso meu Deus sua ira aplacar, e a mim, grande pecador, assim regenerar? Muito tempo a sua graça rebelei, muito tempo, qual néscio, provoquei-lhe; não queria jamais escutar; chamava-me, mas feri-lhe duramente cada vez que pecava.
Senhor, me leve ao arrependimento, que por todos meus pecados faça agora lamento; que possa aborrecer minha rebelião fatal, que chore, que lhe creia, que deixe de pecar.
Já pesar de minhas penas, meu Salvador está com suas mãos ulceradas, me querendo abraçar; Deus é amor! Sei e posso senti-lo: Jesus chora por mim, seu amor está comigo.
    O pecado não confessado em nossa vida oferece a Satanás um ponto de apoio. Pode utilizar esse pecado como o fundamento de suas acusações. Quanto mais tempo nos acuse, maior parece o pecado a nossos olhos. Se converte em um obstáculo tão grande que tampa o rosto divino e oculta sua graça e seu amor. Não experimentamos sentimentos de convicção, que são os que nos fazem nos voltar para Deus, mas sim de condenação, que nos convencem de que não podemos fazê-lo.

    A culpa se converte, nas mãos de Satanás, em um arma terrível que destrói nosso gozo, nossa paz e nossa comunhão com Deus. Nossa esperança se desvanece. Nos engole o desespero. Então a voz de Satanás nos diz: "Amaldiçoa a Deus e morra !"
    Não preste atenção à voz do diabo! Escute a voz de Deus. Se volte para a Palavra e creia o que lhe diz Deus. E esteja seguro de que seu advogado nos céus está esperando para lhe perdoar e lhe restaurar. Postergar a admissão e confissão de nosso pecado dará a Satanás uma maior oportunidade para prejudicar nossa vida e ministério.


"O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia". - Pv.28:13

   

Extraído do Livro "A Estratégia de Satanás - Warren W. Wiersbe"






Onde Estão Os Elias De Deus?

Por Leonard Ravenhill


   “Onde está o Senhor, o Deus de Elias?”, perguntamos. E a resposta é óbvia: “Onde sempre esteve, no seu trono”. Mas, onde estão os Elias de Deus? Sabemos que Elias foi “um homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos”. Mas infelizmente não somos homens com orações semelhantes às dele. Um homem que ora, para Deus, é poderoso. Mas hoje o Senhor está passando de largo pelos homens, não porque sejam imprestáveis, mas porque são por demais auto-suficientes. Irmãos, nossa capacidade nos deixa incapacitados; e nossos talentos constituem um tropeço para nós.


   Elias saiu da obscuridade e entrou no palco do Velho Testamento já homem feito. A Rainha Jezabel, aquela filha do inferno, havia removido os sacerdotes de Deus e posto no lugar deles altares para os falsos deuses. A terra estava coberta de trevas, e o povo envolto em escuridão espiritual. E o pecado campeava. A nação se mostrava cada dia mais impura com a proliferação de templos pagãos e ritos idólatras; a toda hora subia ao céu a fumaça dos milhares de altares ímpios.


   E tudo isso acontecia no meio de um povo que se dizia descendência de Abraão, de uma gente cujos ancestrais haviam clamado a Deus nas horas de aflição, e dessa forma foi liberto das suas tribulações. Como estava distante o Deus da glória! O sal perdera seu sabor! O ouro perdera o polimento! E em meio a toda essa imensa apostasia, Deus levantou um homem; não uma comissão, nem uma nova denominação, nem um anjo, mas um homem, com sentimentos semelhantes aos nossos. Deus procurou entre eles um homem, não para pregar, mas para se colocar na brecha. E, como Abraão fizera antes, agora Elias estava na presença do Senhor. O resultado foi que tempos depois o Espírito Santo pôde escrever a história dele com apenas duas palavras: “E orou”. Isso é tudo que uma pessoa pode fazer para Deus e para a humanidade. Se a igreja hoje contasse com tantos intercessores quantos são seus conselheiros, teríamos um avivamento dentro de um ano.


   Os homens que oram assim são os grandes benfeitores da humanidade. Elias foi um deles. Ele ouviu uma voz, teve uma visão, experimentou o poder espiritual, avaliou o inimigo e, tendo Deus como parceiro, conquistou a vitória. E as lágrimas que derramou, a agonia de alma que suportou, os gemidos que exprimiu estão todos registrados no livro das crônicas de Deus. Por fim, ele surgiu para profetizar com infalibilidade divina. Conhecia a mente de Deus. E foi assim que, sozinho, paralisou toda uma nação e modificou o curso da natureza. Esse homem decidido permaneceu firme e imperturbável como as montanhas de Gileade, no momento em que cerrou os céus para que não chovesse. Com a chave da fé, que serve em qualquer fechadura, ele trancou os céus, pôs a chave no bolso, e fez Acabe estremecer. E embora seja glorioso o fato de Deus poder usar um homem, ainda mais glorioso é ele ser atendido por Deus. Se um homem de Deus se puser a gemer “no Espírito”, Deus clamará “Deixa-me ir”. Talvez nos empolgasse a idéia de operarmos as maravilhas que Elias operou, mas será que apreciaríamos ser banidos?


   Irmãos, se quisermos realizar a obra de Deus à maneira de Deus, no tempo determinado por ele, com o poder divino, teremos a bênção do Senhor e a maldição do diabo. Receber a aprovação de Deus implica em topar com a carranca do diabo. Assim que Deus abre as janelas do céu para nos abençoar, o inimigo abre as portas do inferno para nos intimidar. Simples pregadores podem ajudar muita gente, sem prejudicar a ninguém; mas os profetas de Deus agitam a todos, ao mesmo tempo que deixam o diabo louco. O pregador talvez agrade ao povo; um profeta o contrariará. O homem que se mostra descompromissado, inspirado e cheio de Deus, está sujeito a ser taxado de impatriota, por censurar os pecados de sua nação, ou de descaridoso porque sua língua é como espada de dois gumes; ou de desequilibrado porque o peso da opinião da maioria dos pregadores é contrária a ele. O mero pregador é aclamado; o profeta de Deus é perseguido.


   Ah, irmãos pregadores, nós apreciamos imensamente os grandes santos de Deus do passado, os nossos missionários, mártires, reformadores, como Lutero, João Bunyan, Wesley, etc. Nós escrevemos as biografias deles, reverenciamos seus feitos, compomo-Ihes elogios e erguemo-lhes memoriais. Fazemos qualquer coisa, menos imitá-los. Apreciamos o sangue que eles derramaram, mas não deixamos que se derrame nem uma gota do nosso!


   João Batista conseguiu ficar seis meses solto. Em nossos dias, numa de nossas cidades, nem ele nem Elias teriam vivido um mês. Teriam sido presos antes disso, lançados numa prisão ou num hospital de doentes mentais, acusados de julgarem os outros, e de não abrandarem um pouco sua mensagem.


   Será que não existe um mensageiro hoje, cheio do Espírito Santo, revestido de toda armadura de Deus, para denunciar o inimigo com toda autoridade? Somente a oração poderá manter acesa a chama de nosso coração e conservar nossos olhos fixos na visão. Esse Elias, que tinha um vulcão no coração e uma voz de trovão, surgiu no cenário do reino justo numa época bem parecida com esta que vivemos.


   As dificuldades com que se depara o evangelismo mundial são incontáveis. Mas isso só serve para estimular os mais decididos.


“Vês rios que parecem intransponíveis?
Vês montanhas nas quais não se podem abrir túneis?
Deus se especializa em realizar o que julgamos impossível,
E pode realizar o que nenhum outro poder consegue”.


   O preço é elevado. Deus não quer ser apenas nosso sócio; quer ser nosso proprietário.


   Elias viveu com Deus. Ele via o pecado da nação como Deus via. Entristecia-se por causa dele, do modo como Deus se entristecia; repreendeu o pecado, do modo como Deus repreendia. Era fervoroso em suas orações e ardoroso em denunciar os males do povo. Sua pregação nada tinha de brandura; era repassada de fervor; e suas palavras abrasavam o coração das pessoas como um metal incandescente lhes queimaria a pele.


   Mas “o Senhor firma os passos do homem bom, e no seu caminho se compraz” (Sl 37.23). E então Deus orientou Elias; primeiro disse-lhe: “Esconde-te”; depois: “Vai, apresenta-te”. Seria errado esconder-nos quando deveríamos estar repreendendo reis em nome do Senhor, assim como seria errado pregar quando o Espírito nos conclama a esperar no Senhor. Precisamos aprender a mesma lição que Davi: “Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa” (Sl 62.5). Qual de nós teria coragem de pedir a Deus para remover todas as suas muletas? Os caminhos de Deus não são os nossos caminhos. Os caminhos dele são inescrutáveis, mas ele os revela a nós pelo seu Espírito.


   O Senhor mandou que Elias fosse para Querite e depois para Sarepta, para que se hospedasse num hotel de luxo? Não! Ele ordenou a esse profeta de Deus, a esse pregoeiro da justiça, que ficasse no lar de uma viúva pobre.


   E depois, no monte Carmelo, Elias fez uma oração que é uma obra-prima de concisão: “Responde-me, Senhor, responde-me, para que este povo saiba que tu, Senhor, és Deus, e que a ti fizeste retroceder o coração deles” (1Rs 37.18). O escritor E. M. Bounds está com razão quando afirma que só pode fazer uma oração curta e poderosa em público quem mantém uma longa e poderosa comunhão “em secreto”. A petição de Elias não foi no sentido de que os sacerdotes idólatras fossem destruídos, nem que caíssem do céu relâmpagos para aniquilar os rebeldes israelitas, mas, sim, que a glória e o poder de Deus se manifestassem ali.


   Parece que nós estamos querendo ajudar Deus a resolver seus problemas. Foi o que fez Abraão, e até hoje a terra é amaldiçoada por essa loucura dele, com a presença de Ismael. Elias não fez o mesmo; ele procurou dificultar as coisas ao máximo para Deus. Queria fogo do céu, mas ensopou o holocausto de água. Deus gosta de ver uma oração assim, com tal audácia. “Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão” (Sl 2.8).


   Ó meus irmãos, nossas orações, em grande parto, não passam de conselhos que estamos tentando dar a Deus. Elas são caracterizadas pelo egoísmo, pois nossas petições são em nosso favor ou de nossas denominações. Que Deus corrija isso em nós! Nossa meta deve ser apenas Deus. É sua honra que está sendo conspurcada; é seu bendito Filho quem está sendo ignorado, suas leis que estão sendo transgredidas, seu nome profanado, seu Livro esquecido, e sua casa está-se tornando um círculo social.


   O momento em que Deus precisa exercitar mais paciência com seus filhos é quando estes estão orando.


   Ficamos dizendo para ele o que deve fazer e como o fará. Além disso, julgamos outros e fazemos apreciações deles. Fazemos tudo, menos a verdadeira oração. E não é na escola bíblica que iremos aprender essa arte. Qual é a escola bíblica que tem em seu currículo uma disciplina chamada “Oração”? A lição mais importante que se pode aprender é a da oração que a Bíblia ensina. Mas quem dá aulas dela? Sejamos honestos e reconheçamos que muitos de nossos professores e diretores de escola bíblica não oram, não choram, não conhecem as dores de parto. Será que podem ensinar o que não sabem?


   Aquele que conseguisse levar os crentes a orar, seria quem, abaixo de Deus, produziria o maior avivamento que o mundo já viu. Em Deus não há falhas. Ele é poderoso. “... é poderoso para fazer... conforme o seu poder que opera em nós”. O problema de Deus hoje não é o capitalismo, nem a Igreja Romana, nem o liberalismo, nem o modernismo, não. O grande problema dele hoje é o cristianismo morto!










“Embora o avivamento e o evangelismo estejam intimamente relacionados, na verdade são duas obras distintas. O avivamento é uma experiência da Igreja; o evangelismo, a expressão dela”.
— Paul S. Rees.


“Nunca foi intenção de Deus que a Igreja se tornasse uma geladeira para preservar a perecível religiosidade humana. Sua intenção era que ela fosse uma incubadeira, onde se desenvolveriam novos convertidos”.
— F. Lincicome.


“Porventura sou eu, Senhor?”
— Os Discípulos.


"Vês rios que parecem intransponíveis?
Vês montanhas nas quais não se podem abrir túneis?
Deus se especializa em realizar o que julgamos impossível,
E pode fazer o que nenhum outro poder faz.
Que Deus nos ajude a querer ser populares no lugar onde a popularidade realmente conta: junto ao trono de Deus”.
— Zepp.


Extraído do Livro "Leonard Ravenhill - Por Que Tarda O Pleno Avivamento".
Editora Betânia.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Precisamos De Unção Nos Púlpitos E Ação Nos Bancos

Por Leonard Ravenhill

    Pode acontecer de um crente ficar muito tempo no estágio de criancinha espiritual e depois, de repente, despertar e amadurecer espiritualmente, tornando-se fervoroso nas batalhas do Senhor, e manifestando um intenso amor pelos perdidos. Existe uma explicação para isso. (Mas nós nos achamos tão abaixo do padrão normal do cristianismo neotestamentário que o normal nos parece anormal). O segredo da transformação a que me referi acima é que houve um momento em que essa pessoa lutou com Deus, como Jacó, e saiu da luta esvaziado do seu “ego”, mas “fortalecido com poder, mediante o seu Espírito”.

    Para se ter uma vida vitoriosa dois elementos são indispensáveis: visão e fervor. Sabemos de homens que lutam contra fortíssimas oposições da crítica carnal humana, e tomam de assalto os picos pedregosos do território inimigo, tão-somente para “fincar” a cruz de Cristo em lugares onde habita a crueldade. Por quê? Porque tiveram uma visão, e se encheram de intenso fervor.
    Alguém já advertiu que não devemos estar tão envolvidos com o céu a ponto de sermos totalmente inúteis na terra. Se há um problema que esta geração não enfrenta é esse. A verdade nua e crua é que estamos tão envolvidos com a terra que não temos nenhuma utilidade para o reino dos céus.
    Irmãos, se fôssemos tão eficientes na tarefa de enriquecer nossa alma quanto o somos na de cuidar de nossos interesses pessoais, constituiríamos uma ameaça para o diabo. Mas se fôssemos ineficientes no cuidado de nossos interesses como o somos nas questões espirituais, estaríamos mendigando.
    Alguns anos atrás, George Deakin ensinou-me uma verdade usando um argumento bastante lógico. Ter visão sem missão, torna-nos visionários; ter missão sem visão, leva-nos a trabalhar demais; ter visão e missão faz de nós missionários. E é mesmo. Isaías teve uma visão no ano da morte do rei Uzias. Talvez haja alguém à nossa frente, impedindo que tenhamos uma visão ampla de Deus. O preço a ser pago pelo crescimento espiritual é bastante elevado, e, às vezes, doloroso também. Você estaria preparado para ter uma visão a esse preço — a perda de um amigo ou de sua carreira? E para essa transformação de alma não se oferecem descontos especiais. Se alguém deseja apenas ser salvo, santificado e só, não há lugar para ele nas fileiras do Senhor.
    Isaías teve uma visão em três dimensões. Vejamos Isaías 6, versículos 1 a 9. Seu olhar se dirigiu para o alto: viu o Senhor; para dentro de si: viu a si mesmo; e para fora: viu o mundo.
    Sua visão tinha altura: viu o Senhor alto e sublime; profundidade: viu as profundezas de seu coração; e largura: viu o mundo.
    Foi uma visão da santidade. Ó amados, como nossa geração precisa ter uma visão de Deus em toda a sua santidade! E foi uma visão da iniqüidade: “Estou perdido! de lábios impuros!” E foi uma visão do desalento divino, implícito nas palavras: “Quem há de ir por nós?”
    E nesta hora em que vivemos, quando a média das igrejas está mais envolvida com promoções do que com orações; incentiva mais a competição, e se esquece da consagração, e substitui a propagação do evangelho pela autopromoção, é imperativo que tenhamos essa visão tríplice.
    “Não havendo profecia o povo se corrompe”. (Pv 29.18). E não havendo paixão pelas almas, a igreja perece, mesmo que esteja lotada dominicalmente.
    Certo pregador, conhecido no mundo inteiro, e que tem sido poderosamente usado por Deus nos últimos anos para promover avivamentos (que são.bem diferentes de cruzadas de evangelismo em massa), contou-me que também teve uma visão semelhante. Ainda me recordo da expressão de temor com que me falou que não sabia ao certo se estava tendo uma visão ou um sonho, se estava no corpo ou fora dele. Mas disse que enxergava uma enorme multidão em um profundo abismo, todo cercado de fogo, presa no “manicômio do universo”, o inferno. Depois disso, esse homem nunca mais foi o mesmo. Nem poderia!
    Será que Deus poderia confiar-nos revelação tão grandiosa? Já passamos pela escola da oração e do sofrimento para que nosso espírito esteja preparado para suportar uma visão tão atordoante? Feliz é aquele a quem Deus pode comunicar tal visão!
    Ninguém vai além da visão que tem. Teólogos intelectualizados não têm condições de romper a cortina de ferro da superstição e das trevas por trás das quais, há milênios, estão perecendo milhões e milhões de indivíduos. Talvez só homens com menos intelecto, mas com uma visão maior, sejam capazes disso.
    Ter uma mentalidade espiritual é ter gozo e paz. Mas se pararmos para pensar em estatísticas, poderemos ficar bem preocupados. Leia os dados que se seguem, e veja se não dá vontade de chorar.


Japão — o governo da nação afirma que a população já passa da casa dos 120 milhões, e está crescendo ao ritmo de 1.100.000 pessoas por ano. Isso quer dizer que o número de não-convertidos aumentou em cinco milhões, nos últimos cinco anos. Coloque esse dado em sua lista de oração.
Coréia — a população desse país é de cerca de 42 milhões, constituída em grande parte de refugiados, flagelados e famintos.
Índia — na Índia há milhões e milhões de pessoas no vale da sombra da morte.
Oriente Médio — aí há mais de um milhão de refugiados árabes.
Europa — nesse continente, até há alguns anos, existiam cerca de onze milhões de refugiados políticos e de indivíduos que, devido à guerra, se achavam distantes de sua pátria. Que situação triste!

China — em Hong Kong também há milhões de refugiados que escaparam da China comunista, e vivem em condições miseráveis.
    E para aumentar nossa responsabilidade, basta lembrar que há cerca de 20 milhões de judeus, 350 milhões de muçulmanos, 200 milhões de budistas, 350 milhões de confucionistas e taoístas, 500 milhões de hindus, 100 milhões de shintoístas e milhões e milhões de adeptos de outras seitas, pelos quais Cristo morreu, e que ainda não receberam a mensagem do evangelho. Até mesmo nos Estados Unidos existe em torno de 50 milhões de jovens com menos de vinte e um anos que não estão recebendo os ensinamentos de Deus, e cerca de dez mil cidades de pequeno porte onde não há um templo evangélico. Quase um milhão de pessoas morre sem Cristo semanalmente, em todo o mundo. Isso não significa nada para você?
    Precisamos acabar com nossa religião sintética. Uma situação dessas revela a falta de unção nos púlpitos e de ação nos bancos. O fato é que hoje não se prega mais o evangelho com o mesmo fervor de antes, e não há mais fome de se ouvir a pregação.
    É possível que Deus esteja mais irado com os países de formação protestante como Estados Unidos e Inglaterra, do que com os comunistas. Acha essa afirmação absurda? Então pense seriamente no seguinte. Na Rússia há milhões de indivíduos que nunca tiveram uma Bíblia e nunca assistiram a um programa evangélico na televisão ou no rádio. Se pudessem ir a uma igreja, iriam de bom grado.
   Talvez estejam equivocados aqueles que oram no sentido de que os perdidos tenham uma visão do inferno para que se arrependam. Pode ser que eles precisem mais é de uma visão do Calvário, do Salvador sofrendo, a instar com eles para que se arrependam. Por que iriam querer perecer depois de visualizarem o Calvário?
    Conta-se que William Booth, fundador do Exército de Salvação, costumava dizer que, se pudesse, gostaria de proporcionar aos seus soldados em fim de curso a oportunidade de passarem vinte e quatro horas espiando para dentro do inferno, para que contemplassem o eterno tormento que ali impera. As igrejas fundamentalistas precisam de uma visão dessas, e quem mais precisa são os eloqüentes e orgulhosos evangelistas.
    Houve certa vez um criminoso de nome Charlie Peace. Não tinha respeito nem pelas leis de Deus nem pelas dos homens. Mas afinal um dia foi preso e condenado à morte. No dia de sua execução, foi levado ao corredor da morte na penitenciária de Armley, Leeds, na Inglaterra. À sua frente ia o capelão da prisão, lendo versículos da Bíblia em voz monótona e desinteressada. O criminoso tocou-lhe no ombro e indagou o que estava lendo. “O “Conforto da Religião”, replicou o sacerdote”.
    Charlie Peace ficou chocado de ver como ele lia aqueles textos acerca do inferno de maneira tão mecânica. Como alguém podia ser tão frio, a ponto de conduzir outro para a forca, sem emoção alguma, lendo-lhe palavras sobre um abismo profundo no qual o condenado estava prestes a tombar? Será que aquele pregador cria de fato que existe o fogo eterno, que arde incessantemente, e nunca consome suas vítimas, já que lia tudo sem ao menos estremecer? Seria humano um indivíduo capaz de dizer a outro friamente: “Você estará morrendo eternamente, sem nunca conhecer o alívio que a morte poderia dar-lhe?” Aquilo foi demais para Peace, e ele se pôs a pregar. Veja só o sermão que pregou no próprio instante em que caminhava para o inferno.
   “Senhor”, disse, dirigindo-se ao capelão, “se eu acreditasse nisso em que você e a igreja dizem crer, andaria por toda a Inglaterra, só para salvar uma alma, e, se preciso fosse, iria de joelhos, mesmo que a superfície dela fosse recoberta de cacos de vidro, e acharia que teria valido a pena”.
    Irmão, a igreja perdeu o “fogo” do Espírito Santo e por causa disso a humanidade vai para o fogo do inferno. Precisamos ter uma visão do Deus santo. Deus é essencialmente santo. Os querubins não estavam clamando: “Onipotente! Onipotente é o Senhor!” Nem diziam: “Onipresente! Onipresente é o Senhor!” O clamor deles era: “Santo! Santo! Santo!” Precisamos deixar que o amplo conceito desse termo hebraico penetre de novo em nossa alma. “Se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada” ele está lá. Nesta vida temporal, Deus nos cerca por todos os lados. E ele mesmo, o Deus do qual não se pode fugir, nos aguarda na eternidade. É melhor procurarmos ter paz com ele aqui, e nos posicionarmos no centro de sua vontade agora.
    Um bom estímulo para nossa alma seria permanecermos trementes na presença desse Deus santo, todos os dias, antes de sairmos para o trabalho. Aquele que teme a Deus, não teme os homens. O que se ajoelha diante de Deus, não se curva em nenhuma situação. Se tivéssemos diariamente uma visão desse Deus santo, iríamos sentir-nos deslumbrados diante de sua onipresença, extasiados ante sua onipotência, silenciosos diante de sua onisciência e quebrantados diante de sua santidade. E a santidade dele se tornaria nossa. A maior vergonha de nossos dias é que a santidade que ensinamos é anulada pela impiedade de nosso viver. “Um pastor de vida santa torna-se um instrumento poderosíssimo nas mãos de Deus”, disse Robert Murray McCheyne.
    Antes de Isaías passar pela experiência descrita no capítulo 6 de seu livro, ele proferiu uma série de “ais”, para diversas pessoas. Mas, naquele momento, ele viu a si mesmo e disse: “Ai de mim!” “Sou eu, sou eu mesmo, Senhor, quem está precisando de oração”, diz um hino “negro espiritual”. E como isso é verdade! Será que não há quadros com imagens impuras pendurados nas paredes de nossa mente? Não haverá alguma impureza escondida em algum cantinho de nosso coração? Será que poderíamos convidar o Espírito Santo para caminhar conosco de mãos dadas, pelos corredores dele? Não haverá em nós intenções ocultas, motivações secretas e quartos fechados cheios de toda sorte de impurezas, a controlar nossa alma? Em cada um de nós existem três pessoas: a que nós achamos que somos, a que os outros pensam que somos, e a que Deus sabe que somos.
    Literalmente somos muito condescendentes com nós mesmos, e por demais rigorosos com os outros, a não ser quando estamos buscando intensamente a verdadeira vitória espiritual. O “eu” ama o “eu”, embora se diga a respeito de São Geraldo Magela que, pela graça de Deus, “ele amava a todas as pessoas, menos Geraldo Magela”. Que belo exemplo para nós! Mas, na maioria das vezes, escondemos de nós mesmos nosso verdadeiro ser, para que não fiquemos enojados ante a realidade. Vamos pedir a Deus que seu penetrante olhar localize esse corrupto, impuro e malcheiroso ego, para que ele seja arrancado de nós e “crucificado com ele... (para que) não sirvamos o pecado como escravos” (Rm 6.6).

Não adianta dar outros nomes ao pecado; continua sendo pecado. Algumas pessoas se justificam assim:

“Aquele sujeito ali tem um gênio dos diabos. O que eu tenho é ira justa.”

“Ela é supersensível, mas eu sou irritável porque tenho problemas de nervos.”


“Ele é ambicioso demais; eu estou apenas ampliando os negócios.”
“Que sujeito mais teimoso! Eu tenho convicções firmes.”

“Ela é muito orgulhosa; eu tenho gosto muito apurado.”
    É muito fácil encontrarem-se justificativas para todos os tipos de pecados; é só querer. Mas quando o Espírito Santo nos sonda o coração e conhece o que vai em nós, não passa a mão em nossa cabeça nem tampouco nos lesa.
    Perguntou-lhe (ao cego) Jesus: “Que queres que eu te faça? Respondeu o cego: Mestre, que eu torne a ver”. (Mc 10.51). Vamos nós também pedir visão a Deus — uma visão para o alto, para dentro de nós e para fora. Assim como aconteceu com Isaías, ao olharmos para o alto, veremos o Senhor em toda a sua santidade; ao olharmos para dentro de nós, iremos ver-nos exatamente como somos e enxergaremos nossa necessidade de purificação e poder; e ao olharmos para fora veremos um mundo que está perecendo sem o conhecimento do Salvador. “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração: prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139.23,24). Só então teremos unção nos púlpitos e ação nos bancos.





“Será que em nossos dias não estamos confiando demais no braço de carne? Por que será que não podemos presenciar as mesmas maravilhas que ocorreram no passado? Os olhos do Senhor não passam mais por toda a terra para mostrar-se forte para com aqueles que confiam totalmente nele? Ah, que Deus me conceda uma fé mais prática! Onde está o Senhor, o Deus de Elias? Está esperando que Elias clame por ele”.
— James Gilmour, da Mongólia.


“Reconhecemos o valor da oração devido aos esforços que os espíritos malignos fazem para nos perturbar quando estamos orando; e conhecemos experimentalmente o fruto da oração quando vemos a derrota desses nossos inimigos”.
— S. João Clímaco.
“Quando buscamos a Deus em oração, o diabo sabe que estamos querendo mais poder para lutar contra ele, e por isso procura lançar contra nós toda a oposição que ê capaz de arregimentar”.
— R. Sibbes.

“Busquei entre eles um homem”.
— Ezequiel 22.30.


“Elias era homem”.
— Tiago 5.17.

Extraído do Livro "Leonard Ravenhill - Por Que Tarda O Pleno Avivamento"

A Oração Toca a Eternidade

Por Leonard Ravenhill
   A estatura espiritual de um crente é determinada pelas suas orações. O pastor ou crente que não ora está-se desviando. O púlpito pode ser uma vitrine onde o pregador exibe seus talentos. Mas no aposento da oração não temos como dar um jeito de aparecer.


   Embora a igreja seja pobre sob muitos aspectos, é mais pobre ainda na questão da oração. Contamos com muitas pessoas que sabem organizar, mas poucas dispostas a agonizar; muitas que contribuem, mas poucas que oram; muitos pastores, mas pouco fervor; muitos temores, mas poucas lágrimas; muitas que interferem, mas poucas que intercedem; muitas que escrevem, poucas que combatem. Se fracassarmos na oração, fracassaremos em todas as frentes de batalha.


   Os dois requisitos para se ter uma vida cristã vitoriosa são visão e fervor. Ambos nascem da oração e dela se nutrem. O ministério da pregação é de poucos; o da oração — a mais importante de todas as atividades humanas — está aberta a todos. Porém, as “criancinhas” espirituais comentam sem o menor constrangimento: “Hoje, não vou à igreja. É dia de reunião de oração”.


   É bem possível que Satanás não tema grande parte das pregações de hoje. Mas a experiência do passado leva-o a arregimentar todo o seu exército infernal para lutar contra o crente que ora. Os crentes de hoje não têm muito conhecimento da prática espiritual de “ligar e desligar”, embora essa responsabilidade nos tenha sido delegada por Deus: “O que (tu) ligares na terra..”. Você tem feito isso? Deus não desperdiça seu poder. Se quisermos ser poderosos na obra dele, temos que ser poderosos com ele.


   O mundo está marchando para o inferno a um ritmo tão rápido que, se comparado aos modernos aviões supersônicos, estes pareceriam tartarugas. E, no entanto, para vergonha nossa, nem recordamos quando foi a última vez que passamos uma noite toda em oração a Deus, suplicando-lhe que derrame sobre nós um avivamento que abale o mundo. Não temos compaixão pelas almas. Estamos pensando que os andaimes são o prédio. As pregações de hoje, com sua falha interpretação das verdades bíblicas, nos levam a confundir agitação com unção, e comoção com avivamento.


   O segredo da oração é orar em secreto. Quem se entrega ao pecado pára de orar. Mas aquele que ora pára de pecar. O fato é que somos pobres, mas não humildes de espírito.


   A oração é profundamente simples, e ao mesmo tempo profunda. “É uma forma de expressão tão simples que até uma criancinha pode exercitá-la”. Mas é igualmente tão sublime que ultrapassa os recursos da linguagem humana, e esgota seu vocabulário. Lançar diante de Deus uma torrente de palavras não irá necessariamente impressioná-Io ou comovê-lo. Uma das mais significativas orações do Velho Testamento foi feita por uma pessoa que não pronunciou palavras: “Seus lábios se moviam, porém não se lhe ouvia voz nenhuma”. (1Sm 1.13). De fato ela não tinha grandes dons de oratória. Sem dúvida existem “gemidos inexprimíveis”.


   Será que nos encontramos num padrão tão inferior ao dos cristãos neotestamentários que não possuímos mais a fé dos nossos antepassados (com todas as suas realizações e implicações), mas somente a fé emocional de nossos contemporâneos? A oração é para o crente o que o capital é para um homem de negócios.


   Não se pode negar que a maior preocupação da igreja hoje são as finanças. E, no entanto, esse problema que tanto inquieta as igrejas modernas era o que menos perturbava a do Novo Testamento. Hoje damos mais ênfase à contribuição; eles a davam à oração.


   Em nossos dias são muito poucos os que estão dispostos a assumir a responsabilidade de orar inspirados pelo Espírito, e para esse tipo de oração não há substitutos. Temos que orar, senão pereceremos!


“Seria muito bom se nos libertássemos da idéia de que fé é uma questão de heroísmo espiritual, que apenas alguns cristãos seletos conseguem ter. Existem os heróis da fé, é verdade; mas a fé não é apenas para heróis. É uma questão de maturidade espiritual; é para adultos em Cristo”.


— P. T. Forsyth.


“Sempre que Deus tenciona exercer misericórdia para com seu povo, a primeira coisa que faz é levá-lo a orar”.


— Matthew Henry.


“A verdade sem entusiasmo, a moralidade sem emoção e o ritual vazio de realidade são coisas que Cristo condena severamente. Sem fervor espiritual, elas não passam de uma filosofia ímpia, um sistema ético ou de mera superstição”.


— S. Chadwick.


“Portanto, o chamado da cruz é para que participemos da paixão de Cristo. Precisamos trazer em nós as marcas dos cravos”.


— Gordon Watt.


“Sede fervorosos no espírito; servindo ao Senhor”.


— Apóstolo Paulo.


Extraído do Livro "Leonard Ravenhill - Por Que Tarda O Pleno Avivamento"
Editora: Betânia

quarta-feira, 28 de julho de 2010

David Wilkerson - Um Chamado Para Angústia

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Paul Washer - Vire Homem

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Homens de Verdade: os Moravianos

     John Leonard Dober e David Nitschman são nomes que você talvez não reconheça imediatamente. John era artesão e David um carpinteiro. Ocupações comuns para homens extraordinários. Ambos eram pastores da igreja reformista da Morávia (hoje República Tcheca), a Igreja Moraviana. John Leonard Dober e David Nitschman são heróis esquecidos. Bem, quase esquecidos. Suas palavras finais antes de partir em sua missão são a letra de uma linda música recente de Cindy Ruakere; “Receive” (Que o Cordeiro Receba). Dober e Nitschman se venderam como escravos para responder ao chamado de ministrar o Evangelho. Conheça a história de John Leonard Dober e David Nitschman.
     Eles eram da Igreja cristã Moraviana, o primeiro movimento cristão reformista carismático fundado em 1457 na região da Boêmia, que hoje é a República Tcheca e que se originou da pregação de Jan Hus.

Escravos por Deus


     De volta aos missionários da Igreja Moraviana: John Leonard Dober e David Nitschman ambos nasceram na Morávia que hoje é parte da República Tcheca. David nasceu em 18 de Dezembro de 1695 na cidade de Suchdol nad Odrou. Tanto David quanto John Leonard sentiram a necessidade de levar a palavra de Deus a outros continentes.
     A nacionalidade do rebanho pouco importa para Cristo! Mas para fins históricos, fica o registro de que Dober e Nitschmann eram tchecos e não alemães. É que entre 1520 e 1918, o reino tcheco estava ocupado pelos austríacos, de fala alemã. Portando a igreja Moraviana criada no reino tcheco, fruto da obra de Jan Hus, estava em território austríaco. Quando os missionários moravianos sairam pelo mundo, eram considerados austríacos. E como falavam alemão (bem mais fácil de entender do que o tcheco materno!) então…todo mundo pensava que eram austríacos ou alemães. Mas o próprio nome de sua comunidade, moravianos, mostra claramente que se tratava de tchecos. Depois, com o tempo, muitos de outras nacionalidades se juntaram aos moravianos na luta por Cristo. Independente de onde nasceram, que Deus os abençoe!
     David Nitschmann e John Leonard escreveram a um fazendeiro britânico, que também era governador das Ilhas Virgens Britânicas (no Caribe), e pediram sua permissão para evangelizar os escravos negros que trabalhavam em suas terras. Esse fazendeiro era ateu e respondeu a John e David: “Jamais permitirei qualquer pregação religiosa em minhas terras”.
     David and John então propuseram ao fazendeiro que eles queriam se vender como escravos para ele. Se ele aceitasse, que então comprasse os dois. O senhor de terras aceitou. Com o dinheiro pago pela venda de sua liberdade, David e John Leonard compraram as passagens de navio até as Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe.
     Eles deixaram a segurança de suas casas e famílias e embarcaram no porto de Copenhague para se tornarem os dois primeiros missionários da Igreja Moraviana em 1732.
     Quando o navio partia do cais, a esposa e filhos de David Nitschmann imploraram no porto para que eles desistissem, e ficassem em casa. Mas o chamado e o coração de Deus para esses agora escravos nas Índias Ocidentais (Caribe) foi ainda maior que o chamado de casa. Enquanto o navio saía das docas os dois gritaram do navio: “Que o Cordeiro que foi morto receba a recompensa por Seu sofrimento.”
     Esse grito se tornou o lema do movimento das missões da Igreja Moraviana. Os dois sentiram que seu sacrifício era minúsculo em comparação ao sacrifício de seu Salvador. Eles amavam Jesus com tudo o que podiam, e queriam andar em obediência, sabendo que o Deus que lhes chamava é o Deus que dá coragem, graça e a benção para a tarefa. Eles experimentaram e modelaram a verdade expressa por Paulo em Filipenses 4:13 “Eu posso fazer tudo através de Cristo, que me dá forças.”
     Esses dois homens criaram um movimento missionário, não com conversas vazias, mas ao viver segundo a mensagem do Cristo.
     Eles viveram o “Vá e evangelize”, ordem principal de Jesus para todos nós seus seguidores. John Leonard Dober e David Nitschman inspiraram sua geração e as gerações futuras a dar suas vidas pelo Cordeiro.

"Que o cordeiro receba a recompensa pelos seus sofrimentos através de mim"




Fonte: Times de Cristo / Website da Igreja Moraviana

Aulas de Teologia

Estou disponibilizando Aulas de Teologia em video. Produzidas pelo icp.com.br (Instituto Cristão de Pesquisa), a aulas são simples e bem didáticas. Se você quer aprofundar seu conhecimento bíblico, não deixe de assistir.



Aula de Teologia 01 - Fértil Crescente (Parte I)


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Aula de Teologia 02 - Fértil Crescente (Parte II)

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Aula de Teologia 03 - A Criação do Universo

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Aula de Teologia 04 - O Surgimento do Homem

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Aula de Teologia 05 - Quem Foi a Mulher de Caim


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Fonte: ICP.com.br

terça-feira, 27 de julho de 2010

Auxílio Estudo

Para auxiliar seu estudo sobre o novo tema da Escola Dominical, estou vendendo o livro do Luciano Subirá - O FALAR EM LÍNGUAS - A Linguagem Sobrenatural de Oração.
R$ 29,90 (preço acrescido pelo frete)

Esse é o melhor e mais completo livro sobre o assunto. De fácil leitura e bastante didático.